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	<title>Mojotrotters &#187; economy</title>
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	<description>Mobile journalists on a world adventure</description>
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		<title>Todos estamos conectados: versão hindu</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 08:41:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bianca M. Saia</dc:creator>
				<category><![CDATA[India]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando uma mulher prestes a dar a luz não encontrou um leito disponível no hospital particular da região, sua família ligou para o Manu.

Quando o dono de uma mercearia foi pego ao vender maconha pros turistas – sem ter pago a devida propina aos policiais antes – ele chamou o Manu.

Advogado, dono de hotel e filho de políticos, Manu é o padroeiro informal de Varkala.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p lang="pt-BR">Quando uma mulher prestes a dar a luz não encontrou um leito disponível no hospital particular da região, sua família ligou para o Manu.</p>
<p lang="pt-BR">Quando o dono de uma mercearia foi pego ao vender maconha pros turistas – sem ter pago a devida propina aos policiais antes – ele chamou o Manu.</p>
<p lang="pt-BR">Advogado, dono de hotel e filho de políticos, Manu é o padroeiro informal de Varkala.</p>
<p lang="pt-BR">Numa pequena cidade à beira mar no estado de Kerala, a polícia cumpre o seu papel de proteger. No caso, a proteção é pra quem paga o baksheesh (ou propina) em dia. Comerciante que tem mais, paga mais. Quem quiser vender álcool – e quem não quer numa cidade turística que atrai principalmente europeus? &#8211; deve pagar suas parcelas em dia, sob o risco de <a href="http://mojotrotters.com/pt/2010/11/varkala-boozy-skulduggery-in-paradise/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/pt/2010/11/varkala-boozy-skulduggery-in-paradise/?referer=');">perder o negócio</a>.</p>
<p lang="pt-BR">Ao caminhar com Manu pela rua principal de Varkala, é fácil perceber a sua influência. Todos o cumprimentam, alguns o puxam de lado para fazer pedidos, trocar cartões ou fazer confidências na língua local. Seu telefone toca sem parar: hora de ajudar um pobre motorista de moto-táxi, que foi preso por um delito mínimo e não tem dinheiro para contratar um advogado.</p>
<p lang="pt-BR">O hotel de Manu é novo, enfrenta concorrência de centenas de outros negócios e não aparece no guia Lonely Planet, a bíblia dos viajantes independentes. Mas mesmo assim, nesse momento o seu estabelecimento está operando em ocupação máxima.</p>
<p lang="pt-BR">Isso porque uma mão lava a outra: os motoristas de moto-táxi, ao receber turistas sem reservas na estação de trem, têm uma indicação na ponta da língua pra fazer. Os donos de restaurantes vizinhos, amigos e protegidos de Manu, também não hesitam ao recomendar o Golden Beach a quem pergunta.</p>
<p lang="pt-BR">E quando eu pedi que o Manu me dissesse onde ficava um determinado restaurante que me havia sido recomendado, ao invés de me entregar um mapinha xerocado,  ele me acompanhou até lá pessoalmente. Manu é amigo dos donos (claro), e minha refeição saiu&#8230; de graça. “Amigo do Manu é amigo nosso”, eu ouvi. “Volte amanhã”!</p>
<p lang="pt-BR">Todos estamos conectados. Essa é a famosa teoria da física quântica, dos adeptos de filosofia de auto-ajuda como “The Secret” e  várias correntes espirituais e religiosas, entre elas o hindu Vedanta.</p>
<p lang="pt-BR">Na Índia, isso é não é uma crença: é uma realidade. Sem conexões, você não abre um negócio, consegue licenças, contorna a sufocante burocracia indiana ou tira um visto (foi graças a nosso amigo indiano Harveen, amigo do cônsul, que conseguimos contornar uma regra que impede que não-residentes de Cingapura tirem um visto pra Índia por lá). E se fazer conexões fosse uma língua, o Manu seria fluente.</p>
<p lang="pt-BR">Também ajuda o fato de que o Golden Beach Resort em North Cliff – próximo à Black Beach &#8211; seja bem localizado, tenha quartos simples mas limpos e baratinhos (de $4 a $16 dólares, dependento da vista e da temporada) e vista pro mar. O Manu é porreta. Até eu tô recomendando.</p>
<p lang="pt-BR">
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		<title>Varkala: cerveja, política e deduragem</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2010 21:46:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[India]]></category>
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		<category><![CDATA[pays]]></category>
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		<description><![CDATA[Em Varkala, você não vai encontrar cerveja ou drinks nos menus de quase nenhum dos inúmeros restaurantes construídos frente ao mar.

Mas experimente dizer a palavra álcool pro garçom. Ele prontamente vai tirar do bolso um menu caseiro e gasto listando os costumeiros Mojitos, Tom Collins, Cosmopolitans e outros drinks clássicos. Peça uma cerveja e receba uma geladíssima garrafa de Kingfisher em instantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-3.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-3.jpg?referer=');"><img class="aligncenter size-full wp-image-2501" style="margin-top: 15px; margin-bottom: 15px;" title="varkala 3" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-3.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Em Varkala, você não vai encontrar cerveja ou drinks nos menus de quase nenhum dos inúmeros restaurantes construídos frente ao mar.</p>
<p lang="pt-BR">Mas experimente dizer a palavra álcool pro garçom. Ele prontamente vai tirar do bolso um menu caseiro e gasto listando os costumeiros Mojitos, Tom Collins, Cosmopolitans e outros drinks clássicos. Peça uma cerveja e receba uma geladíssima garrafa de Kingfisher em instantes.</p>
<p lang="pt-BR">Os restaurantes não podem vender bebidas alcoólicas. Mas como em outras partes de Varkala, as regras têm seu preço.</p>
<p lang="pt-BR">De acordo com várias fontes na indústria hoteleira local, os restaurantes pagam propina para que a polícia os deixe conduzir seus negócios em paz. Essa prática, talvez tão antiga quanto as leis, não deveria ser motivo de surpresa pra ninguém que conhece a cultura de grande parte dos países de terceiro mundo.</p>
<p lang="pt-BR">Mas a história fica mais interessante quando os proprietários se servem dessa brecha pra tentar roubar os clientes dos seus concorrentes.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<h5 class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_2499" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-1.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-1.jpg?referer=');"><img class="size-full wp-image-2499" title="varkala 1" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-1.jpg" alt="varkala" width="500" height="334" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><strong>A faixa de restaurantes e lojas no topo do morro de Varkala.</strong></dd>
</dl>
</h5>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p lang="pt-BR">Varkala, que fica no estado de Kerala, no sudoeste da Índia, é uma estância turística relativamente nova. Uma alternativa mais simples e mais barata em relação à popular Kovalam, Varkala atrai turistas de dreadlocks e que usam roupas indiana porque gostam &#8211; e não como forma de respeito à cultura local.</p>
<p lang="pt-BR">A praia nada mais é do que um pequeno trecho de areia, menor que um campo de futebol, alojado entre 2 colinas de terra avermelhada. A maioria dos negócios foram instalados no topo desses morros.  Enquanto há cinco anos o vilarejo não dispunha de mais de cinco hotéis, hoje opção é o que não falta: hospedarias baratas, chiques bangalôs, cafés e restaurantes, todos oferecendo a tradicional terapia Ayurvédica.</p>
<p lang="pt-BR">O pequeno povoado parece ter sido construído e hoje gerenciada pelos Nepaleses e Kashmires, que, para minha grande surpresa, são ótimos comerciantes. Eles trabalham como gerentes, garçons e vendedores de souvenires. Com a chegada das  monções que começam em junho, eles fecham as lojinhas e voltam pra casa.</p>
<p lang="pt-BR">Para os indianos locais sobra a maior parte dos trabalhos manuais, como conserto de telhadoos e remendo de calçadas.</p>
<p lang="pt-BR">Eu tenho passado as minhas noites no restaurante Hill Top Indian Spice, o único estabelecimento que anuncia a venda de comida indiana (O resto tenta conquistar os alemães e ingleses saudosos de casa com os chamados menus continentais).</p>
<p lang="pt-BR">A comida do Hill Top é deliciosa. O chef, um nepalês de cinquenta e poucos anos, tem trabalhado na cozinha de resorts pela Índia afora nos últimos 22 anos. O tomate recheado de curry vermelho que ele faz é tão divino que eu até pedi pra receber umas lições de culinária.</p>
<p>O restaurante abriu em agosto deste ano e tem sido um tremendo sucesso, segundo o proprietário. <em>Surpreendentemente</em>, quem vem pra Índia parece estar a fim comer comida indiana.</p>
<p lang="pt-BR">Durante um mês, enquanto o Hill Top vivia lotado, seus vizinhos “continentais” mal conseguiam encher algumas poucas mesas. A oferta em Varkala claramente cresceu mais rápido do que a demanda: seus hotéis e restaurantes trabalham muito abaixo da capacidade. E é aí que as políticas começam.</p>
<p>O restaurante Hill Top ainda não tinha molhado as mãos dos policiais. Os restaurantes concorrentes deduraram.  E o Hill Top foi fechado por dois meses.</p>
<p lang="pt-BR">O Hill Top acaba de abrir novamente, e o movimento começa a voltar devagarinho. Desta vez, com as prestações de  <a href="http://wordsmith.org/words/baksheesh.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/wordsmith.org/words/baksheesh.html?referer=');">baksheesh</a> &#8211; ou propina -  sendo pagas em dia.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<h5 class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_2500" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-2.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-2.jpg?referer=');"><img class="size-full wp-image-2500" title="varkala 2" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/11/varkala-2.jpg" alt="" width="500" height="334" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd" style="text-align: left;"><strong>A cidade atrai inúmeros peregrinos, graças a seu tempo milenar.</strong></dd>
</dl>
</h5>
<p><span style="color: #ffffff;">i</p>
<p>i</span></p>
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		<title>Quando os pedintes falam a verdade</title>
		<link>http://mojotrotters.robertorocha.info/pt/2010/08/when-beggars-say-what-they-think/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 11:32:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cambodia]]></category>
		<category><![CDATA[Words]]></category>
		<category><![CDATA[pays]]></category>
		<category><![CDATA[culture shock]]></category>
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		<description><![CDATA[(English) When selling bootleg books didn't work, the boy turned to begging for food. He looked 12 and was still perfecting his pity pitch.

After four days in Siem Reap (and another week in Sihanoukville), I got used to saying no to child sellers and beggars. I read enough articles to know giving them money does more harm than good:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5 class="mceTemp">
<dl class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.flickr.com/photos/nogoodreason/3344097494/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.flickr.com/photos/nogoodreason/3344097494/?referer=');"><img title="Girl begging" src="http://farm4.static.flickr.com/3592/3344097494_c9f02f5815_d.jpg" alt="Girl begging" width="500" height="375" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><strong>Foto de <a href="http://www.flickr.com/photos/nogoodreason/3344097494/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.flickr.com/photos/nogoodreason/3344097494/?referer=');">Daniel Grosvenor</a></strong></dd>
</dl>
</h5>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Quando o menino percebeu que a gente não ia mesmo comprar um dos seus livros piratas, ele nos pediu comida. Ele parecia ter uns 12 anos e ainda estava aperfeiçoando suas técnicas de vendas.</p>
<p>Depois de quatro dias em <a href="http://wikitravel.org/en/Siem_Reap" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/wikitravel.org/en/Siem_Reap?referer=');">Siem Reap</a> (além de uma semana em <a href="http://mojotrotters.com/2010/08/sihanoukville-is-a-backpacker-neverland/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/2010/08/sihanoukville-is-a-backpacker-neverland/?referer=');">Sihanoukville</a>), eu me acostumei a dizer &#8220;não&#8221; às crianças e adultos vendendo souvenirs e pedindo esmolas. Eu li <a href="http://www.trekearth.com/gallery/Asia/Cambodia/West/Siem_Reab/Siem_Reap/photo523839.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.trekearth.com/gallery/Asia/Cambodia/West/Siem_Reab/Siem_Reap/photo523839.htm?referer=');">artigo</a>s <a href="http://www.worldhum.com/features/ask-rolf-potts/should-i-give-money-to-child-beggars-20090219/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.worldhum.com/features/ask-rolf-potts/should-i-give-money-to-child-beggars-20090219/?referer=');">suficientes</a> para saber que, na maioria das vezes, dar dinheiro mais atrapalha do que ajuda.</p>
<p>Dar dinheiro é um gesto que os incentiva a <strong>continuar trabalhando ou pedindo dinheiro</strong>, ao invés de frequentar uma escola.</p>
<p>Os adultos e crianças acabam <strong>ficando dependentes</strong> dos turistas para sobreviver.</p>
<p><strong>Dar dinheiro atrapalha as ONG&#8217;s</strong> que estão tentando manter as crianças fora dos perigos das ruas.</p>
<p>Sem querer, <strong>você encoraja pais irresponsáveis a ficar em casa</strong>, muitas vezes bebendo, enquanto a criança passa o dia todo trabalhando.</p>
<p><strong>E pior de tudo</strong>: as crianças têm sua infância roubada.</p>
<p>Minha namorada Bianca, no entanto, deixou sua compaixão falar mais alto do que a razão. Quando o menino disse que estava com fome, ela ofereceu comprar um almoço pra ele, e o convidou para se juntar à nossa mesa.</p>
<p>Eu quis protestar, mas era tarde demais. Ela já estava olhando o menu junto com o menino. Tudo o que pude fazer foi limitar a quantia: Não mais que $1.50, eu disse. Quantia suficiente para uma generosa porção de arroz frito com carne.</p>
<p>Enquanto ele comia, a Bia começou a conversar com o menino sobre a sua vida. Eu abracei este gesto. Muito mais do que só dar uma esmola, essa seria uma oportunidade de construir empatia mútua, de saber um pouco mais sobre as pessoas que infelizmente com o passar dos dias acabamos vendo como incômodos.</p>
<p>Ele disse que precisava de dinheiro para comprar leite em pó para sua irmãzinha. Isso já me deixou cabreiro, já que eu já tinha ouvido essa história de outros pedintes, incluindo uma mulher carregando seu bebê.</p>
<p>Viajando no Camboja, você aprende rápido que seu povo é genial na imitação, e péssimo na inovação. Se alguma técnica funciona pra uma pessoa ou se um produto vende bem, você pode ter certeza que muita gente vai imitar.</p>
<p>Quer uma prova? É só você comparar o menu de três restaurante quaisquer em Siem Reap. Escute as propostas dos vendedores de lembrancinhas. Repare como em cada esquina você encontra mais um &#8220;Dr. Fish Massage&#8221;, um tanque cheio de peixinhos que comem a pele morta das suas pernas e pés. Metade deles oferece uma cerveja grátis com o serviço de 2 dólares.</p>
<p>O menino continuou, dizendo que seu pai perdeu as pernas num campo minado. Sua história começava a parecer um pouco trágica demais. Ao invés de empatia, eu comecei a desconfiar. O menino estava combinando vários elementos tristes de uma maneira um pouco forçada. Como resultado, eu passei a desconfiar de cada uma das suas palavras.</p>
<p>E o que eu temia aconteceu. Dois outros meninos, que obviamente notaram a nossa caridade, entraram no restaurante. Um deles pediu um prato de arroz frito enquanto o outro apenas observava. Esses meninos geralmente desistem depois de ouvir uns 5 &#8220;não, sinto muito&#8221;, mas esse aí, vários minutos depois, não se mexia.</p>
<p>Eu tive que ser bruto com o menino, e isso me deixou arrasado. Eu tive que olhar firme dentro dos seus olhos e dizer &#8220;Eu disse não. Eu não vou dizer de novo&#8221;.</p>
<p>Ao deixar a mesa, os olhos do menino me seguiram cheios de ódio. Um olhar como eu nunca tinha visto nesse país de pessoas dóceis e cerimoniosas.</p>
<p>&#8220;Seu pão duro&#8221;, ele lançou.</p>
<p>Isso é algo difícil de se ouvir, especialmente após ter comprado comida para um dos seus colegas. Mas a frase expôs a lógica dos pedintes do terceiro mundo, geralmente ocultada atrás de tantos &#8220;Tenha um bom dia&#8221; e &#8220;Obrigado, senhor&#8221;.</p>
<p>E a lógica é essa: se você tem dinheiro suficiente para viajar de avião até o meu país, você tem dinheiro para me comprar comida. Você tem dinheiro para comprar comida para todos nós. Então por que você não compra?</p>
<p>O que eles não sabem é que eu precisei <a href="http://mojotrotters.com/pt/2009/12/how-to-save-money-for-a-round-the-world-trip/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/pt/2009/12/how-to-save-money-for-a-round-the-world-trip/?referer=');">trabalhar duro por três anos</a> para economizar dinheiro para essa viagem. Que eu escolhi esse país precisamente porque ele é barato &#8211; e eu não sou rico. E que eu estou ajudando apenas com a minha presença e gastos diários, injetando dinheiro na economia e criando empregos na área de turismo.</p>
<p>O garoto estava apenas dizendo o que a maioria dos pedintes pensa, seja verdade ou não.</p>
<p>E essa é uma verdade dura de engolir, mas necessária.</p>
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