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	<title>Mojotrotters &#187; incident</title>
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	<description>Mobile journalists on a world adventure</description>
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		<title>Lobos em pele de cordeiro: Parte II</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 11:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bianca M. Saia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em comum eles tinham a pouca idade, o aspecto simples e uma aparente vontade de nos ajudar sem pedir nada em troca. Vietnamitas boa-praça, na nossa opinião cidadãos acima de qualquer suspeita.

Ou você desconfiaria de um quase adolescente solícito sentado ao seu lado num país pacífico como o Vietnam?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_2338" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/dalat.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/dalat.jpg?referer=');"><img class="size-full wp-image-2338" title="dalat" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/dalat.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">A cidade de Dalat</dd>
</dl>
</h3>
<p style="text-align: center;" lang="pt-BR">
<p lang="pt-BR">Em comum eles tinham a pouca idade, o aspecto simples e uma aparente vontade de nos ajudar sem pedir nada em troca. Vietnamitas boa-praça, na nossa opinião cidadãos acima de qualquer suspeita.</p>
<p lang="pt-BR">Ou você desconfiaria de um quase adolescente solícito sentado ao seu lado num país pacífico como o Vietnam?</p>
<p lang="pt-BR"><strong>Segundo caso: O Trombadinha em Treinamento</strong></p>
<p lang="pt-BR">A viagem corria como era de esperar. O motorista do micro-ônibus que nos levava de Ho Chi Minh a Dalat, a “Campos do Jordão” do Vietnam, não faria feio como motorista de ambulância. Do ar-condicionado prometido quando compramos a passagem, nem a sombra. Pra cada 4 assentos, eles enfiavam uns 5 neguinhos. E a cada minuto, a buzina era disparada umas 15 vezes.</p>
<p lang="pt-BR">Enfim, nada de extraordinário.</p>
<p lang="pt-BR">O trajeto duraria umas 6 horas. Fazer esse percurso num ônibus grande de viagem é fichinha. Mas numa van onde você fica sentado em ângulo reto, colado no seu companheiro de banco, suando bicas e sem apoio para o pescoço, o bicho pega. Chega uma hora que a bunda perde a sensibilidade. Dormir é um desafio: aonde é que você enfia o pescoço?</p>
<p lang="pt-BR">Lá pela quinta hora de viagem, o Beto resolveu apoiar a cabeça nos braços e se encostar no banco da frente. Uma tentativa desesperada de mudar de posição. Seu colega de assento pareceu se penalizar e cutucou o seu ombro: apenas com mímica, já que ele não falava inglês, ele começou a dar sugestões de como o Beto poderia descansar melhor. “Se encosta assim, aqui no banco ó. É só você empurrar seu quadril pra frente e deixar a cabeça aqui atrás”, ele dizia com o corpo e as mãos. Não diga!</p>
<p lang="pt-BR">O Beto, meio grogue, mal reagiu. Mas a situação me fez sorrir. Uma coisa é alguém te ver com expressão confusa, camisa florida e um mapa gigante aberto no meio de uma avenida e te oferecer ajuda. Outra coisa é um companheiro de ônibus desconhecido querer te mostrar como dormir. Apesar do conselho ter sido inútil, achei o menino prestativo e a cena inusitada.</p>
<p lang="pt-BR">Mas meu encantamento tinha hora pra terminar. De olhos fechados, o Beto sentiu uma mãozinha roçar na sua perna. O menino ao lado parecia dormir. Mas não passaram cinco minutos e a mãozinha, desta vez mais decidida, já alcançava a carteira do Beto guardada no bolso lateral da bermuda.</p>
<p lang="pt-BR">Felizmente meu querido Mojo é muito vivo e agarrou a mão do garoto no ato. O vietnamitazinho, pego com a boca na botija, era a pura expressão da vergonha: olhos baixos, ombros caídos, boca curvada e cabeça baixa. Com cara de puto e mímica, o Beto mandou ele sentar no banco da frente, que nesta hora já estava vazio.</p>
<p lang="pt-BR">A cena foi triste e patética. Dividir um micro-ônibus com um grupo pequeno de pessoas, todas com o mesmo destino, dividindo a mesa na parada pro jantar, compartilhando as agruras e a excitação de ir pra um lugar novo cria uma espécie de liga no grupo. Chame-me de romântica, mas por aquelas 6 horas, estamos todos dentro do mesmo barco, conhecemos nossos rostos, somos companheiros de viagem.</p>
<p lang="pt-BR">A gente só torce que a vergonha dele tenha sido tanta que ele decida mudar de profissão.</p>
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		<title>Lobos em pele de cordeiro: Parte I</title>
		<link>http://mojotrotters.robertorocha.info/pt/2010/10/portugues-lobos-em-pele-de-carneiro-parte-i/</link>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 17:52:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bianca M. Saia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vietnam]]></category>
		<category><![CDATA[Words]]></category>
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		<category><![CDATA[incident]]></category>
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		<description><![CDATA[Em comum eles tinham a pouca idade, o aspecto simples e uma aparente vontade de nos ajudar sem pedir nada em troca. Vietnamitas boa-praça, na nossa opinião cidadãos acima de qualquer suspeita. 

Ou você desconfiaria de um monge dentro de um templo budista?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p lang="pt-BR"><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-2.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-2.jpg?referer=');"><img class="aligncenter size-full wp-image-2316" title="monge 2" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-2.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p lang="pt-BR">Em comum eles tinham a pouca idade, o aspecto simples e uma aparente vontade de nos ajudar sem pedir nada em troca. Vietnamitas boa-praça, na nossa opinião cidadãos acima de qualquer suspeita. Ou você desconfiaria de um monge dentro de um templo budista?<strong> </strong></p>
<p lang="pt-BR"><strong>Primeiro caso: O Monge Safado</strong></p>
<p lang="pt-BR">Era nossa primeira visita a um templo budista do sudeste asiático. Estávamos em Can Tho, mais importante cidade do Delta do Mekong do Vietnam. Recebemos – sem que a gente pedisse nada – uma visita guiada ao templo de um rapaz que, na nossa santa ignorância, tinha jeito, textura e cheiro de aprendiz de monge.</p>
<p lang="pt-BR">O que começou sacro, com incensos acesos aos antepassados e três reverências em direção ao altar evolui para o cômico. O tal monge, sem falar uma palavra de inglês, começou a dar uma de diretor fotográfico, insistindo que a gente posasse ora em frente ao sino, ora em baixo da escada, ora com vista pra cidade, ora com vista pra rua&#8230; acho deu pra pegar a ideia. Lá pela vigésima foto ele decidiu começar posar ao meu lado. E dá-lhe peregrinação: eu e o monge em frente ao sino, eu e o monge em cima da escada&#8230;</p>
<p lang="pt-BR"><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-3.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-3.jpg?referer=');"><img class="aligncenter size-large wp-image-2317" title="monge 3" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-3-332x500.jpg" alt="" width="332" height="500" /></a></p>
<p lang="pt-BR">Um pouco por respeito, um pouco pela curtição do insólito da situação e da nossa curiosidade em saber aonde aquilo iria parar, a gente foi obedecendo o Sebastião Salgado da Ásia. A uma certa altura o Beto já nem clicava mais o botão da câmera, só apontava a lente pra gente, pra manter as aparências. Afinal, desapontar um monge deve dar um puta azar.</p>
<p lang="pt-BR">E o que começou sacro e evolui pra cômico começou a ficar suspeito. A cada tirada ao meu lado o J.R.Duran vietnamita dava um jeito de me colar um tantinho mais. A mão começou a descer da minha inocente cintura pros meus quadris. Atônita, eu protestei:</p>
<p lang="pt-BR">“Beto, o monge pegou na minha bunda”!</p>
<p lang="pt-BR">Mas o apelo do fator exotismo estava forte. E uma parte de mim nem acreditava no que eu tinha acabado de sentir: eu achei que aquilo TINHA que ser um acidente. Mas o monge, ao invés de se contentar em ter dado uma pegada bem-sucedida na bunda da brasileira resolveu abusar da sorte.</p>
<p lang="pt-BR">Após explorar meu lado sul, ele decidiu fazer uma peregrinação no meu lado norte. Sabe quando você tira foto com alguém e põe o braço em volta do pescoço da pessoa? Pois então. Acho que muito moleque conhece aquela técnica de deixar a mão meio boba e preguiçosa  se a companheira de foto for uma garota de busto avantajado.</p>
<p lang="pt-BR">Bem, o monge conhece. E o que começou sacro, evolui pra cômico, passou a ficar suspeito virou claro e definitivo.  Reparem bem na minha expressão.</p>
<p lang="pt-BR"><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-1.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-1.jpg?referer=');"><img class="aligncenter size-full wp-image-2315" title="monge 1" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/10/monge-1.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p lang="pt-BR">Acabaram-se as fotos, acabou-se a piada, e fomos embora no mesmo instante.</p>
<p lang="pt-BR">O hábito não faz o monge. Não mesmo.</p>
<p lang="pt-BR">P.S. &#8211; Nas fotos eu estou usando uma blusa regata, um tremendo fora que eu corrigi pouco tempo depois. Num templo budista, você deve cobrir os ombros e as pernas. Falha minha.</p>
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		<title>A escalada do Monte Giluwe</title>
		<link>http://mojotrotters.robertorocha.info/pt/2010/07/climbing-mt-giluwe/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 16:35:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papua New Guinea]]></category>
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		<category><![CDATA[adventure]]></category>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://mojotrotters.com/2010/07/climbing-mt-giluwe/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/2010/07/climbing-mt-giluwe/?referer=');"><img class="aligncenter size-full wp-image-763" title="giluwe" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/07/giluwe.jpg" alt="giluwe" width="160" height="120" /></a></p>

O plano: subir a segunda maior montanha de Papua Nova Guiné, cercado de guias e dormindo em um camping. A realidade: embarcamos no trekking mais difícil e memorável das nossas vidas.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="500" height="306"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/v6828XZV65o?fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/v6828XZV65o?fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="306" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O plano: subir a segunda maior montanha de Papua Nova Guiné, cercado de guias e dormindo em um camping. A realidade: embarcamos no trekking mais difícil e memorável das nossas vidas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Capotamos?!</title>
		<link>http://mojotrotters.robertorocha.info/pt/2010/06/the-night-our-land-cruise-flipped/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 22:05:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papua New Guinea]]></category>
		<category><![CDATA[Words]]></category>
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		<category><![CDATA[emotions]]></category>
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		<description><![CDATA[A estrada já havia deixado de ser estrada faz tempo. Hoje, digamos que ela deve parecer com Marte após um bombardeio. Mesmo quando a estrada ainda era estrada, ela provavelmente não era digna do substantivo. É como se as autoridades locais tivessem cortado uma faixa de mato e jogado uma porção de pedras por cima, para declarar em seguida: "Tó. Agora se virem".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[</p>
<p><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/06/carandstare-1.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/06/carandstare-1.jpg?referer=');"><img class="alignnone size-full wp-image-1659" style="margin-top: 15px; margin-bottom: 15px;" title="land cruiser" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/06/carandstare-1.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
<p>A estrada já havia deixado de ser estrada faz tempo. Hoje, digamos que ela deve parecer com Marte após um bombardeio. Mesmo quando a estrada ainda era estrada, ela provavelmente não era digna do substantivo. É como se as autoridades locais tivessem cortado uma faixa de mato e jogado uma porção de pedras por cima, para declarar em seguida: &#8220;Tó. Agora se virem&#8221;.</p>
<p>Os buracos originais foram alargados ainda mais pela chuva daquela manhã, e pelo jeito eles poderiam, em teoria, servir como um pequeno reservatório de água para os vilarejos vizinhos.</p>
<p>Não é a toa que a única concessionária de Mount Hagen, capital da província de West Highland em Papua Nova Guiné, vende apenas um produto: jeeps Land Cruiser da Toyota, com tração nas quatro rodas.</p>
<p>Estávamos voltando à Hagen após uma trilha de dois dias ao Mt. Giliwe, a segunda maior montanha do país. Estávamos cansados após a caminhada de oito horas, molhados de chuva, e ainda um pouco fragilizados após o camping improvisado na floresta densa.</p>
<p>Tanto nosso carro como nosso guia-motorista estavam encarando o terreno de maneira formidável. Além de nós, o jeep transportava seus filhos, mulher e sobrinhos &#8211; que subiram a montanha com a gente, e que não falam inglês fluente &#8211; mas que estavam ouvindo Abba e cantando junto, a plenos pulmões, com espantosa precisão. Cada vez que a gente passava por um buraco, nossos órgãos internos jogavam uma rodada de &#8220;dança das cadeiras&#8221;.</p>
<p>Mas um dos buracos foi a gota d&#8217;água, até mesmo para aquela quase invencível máquina japonesa. O lado direito da estrada tornou-se repentinamente bem mais alto do que o lado esquerdo. E, enquanto ouvíamos dos alto-falantes que &#8221; money must be funny in a rich man&#8217;s world&#8221;, a gente sentiu o carro inclinar de maneira assustadora e horizontal para o lado esquerdo.</p>
<p>Todos nós já vimos imagens de carros capotando na estrada. Eu sempre me perguntei como deve ser sair de dentro de um carro que está de cabeça pra baixo. Será que a gente sai pela janela? Pela porta de trás? Será que o cinto de segurança funcionaria bem demais, impedindo minha saída?</p>
<p>Enquanto isso a Bia, que estava sentada entre mim e o motorista no banco da frente, gritou, ao perceber que o carro já tinha inclinado demais pra poder voltar atrás. Ele parecia prester a capotar. Mas eu estava meio que empolgado, apertando com força aquela barra plástica no teto (vulgo puta-que-pariu), apertado pelo corpo dela.</p>
<p>Mas aí, o carro parou. Ele assentou num perfeito ângulo de 45 graus frente ao horizonte imaginário. Temendo que o carro estivesse apenas fazendo uma pausa antes de completar o capote, eu abri a porta e saí, levando a Bia comigo.</p>
<p>Foi uma cena memorável. A grande besta bege japonesa, dura na queda e pau pra toda obra, agora com duas rodas soltinhas no ar. Os outros passageiros escaparam pela porta traseira. Em alguns instantes estávamos cercados de gente que saiu de suas cabanas para ajudar.</p>
<p>Foi como ficção científica. Um evento desencadeia uma reação precisa ao seu redor que parece bizarra para o observador, mas que é totalmente banal para quem faz parte daquele meio. Um a um, um moradores do vilarejo se alinharam de um lado do carro e começaram a empurrar, num esforço coletivo que parecia ao mesmo tempo natural e praticado, como carregar uma mesa.</p>
<p>Nem um minuto havia passado desde que a gente escapou do jeep, e lá estava ele, de volta à estrada,  sentado bonitinho sobre as suas quatro rodas, pra além do buracão.</p>
<p>Após agradecer os sorridentes ajudantes, entramos de volta no carro pra seguir viagem. O cd player agora tocava &#8220;The Winner Takes It All&#8221;, e as crianças cantavam junto, animadas e sincronizadas.</p>
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		<title>Subindo ao inferno em Whistler</title>
		<link>http://mojotrotters.robertorocha.info/pt/2010/02/portugues-subindo-ao-inferno-em-whistler/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 08:52:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bianca M. Saia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canada]]></category>
		<category><![CDATA[Words]]></category>
		<category><![CDATA[pays]]></category>
		<category><![CDATA[emotions]]></category>
		<category><![CDATA[incident]]></category>

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		<description><![CDATA[O esqui entrou na minha vida há cerca de quatro anos, durante meu primeiro inverno no Québec. Foi uma paixão quase imediata. Quase porque nas primeiras descidas tudo joga contra você: quedas frequentes e brutais, frio que endurece os pés e queima as mãos, medo que faz doer a boca do estômago. Comparação dolorida tanto com os adultos como com as crianças que já nasceram com um par de esquis sob os pés.

Fora o mantra "o-que-é-que-eu-estou-fazendo-aqui" girando sem parar na minha cabeça.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-1.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-1.jpg?referer=');"><img class="alignnone size-full wp-image-1013" style="margin-top: 12px; margin-bottom: 12px;" title="whistler-blog 1" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-1.jpg" alt="whistler-blog 1" width="500" height="375" /></a></p>
<p>O esqui entrou na minha vida há cerca de quatro anos, durante meu primeiro inverno no Québec. Foi uma paixão quase imediata. Quase porque nas primeiras descidas tudo joga contra você: quedas frequentes e brutais, frio que endurece os pés e queima as mãos, medo que faz doer a boca do estômago. Comparação dolorida tanto com os adultos como com as crianças que já nasceram com um par de esquis sob os pés.</p>
<p>Fora o mantra &#8220;o-que-é-que-eu-estou-fazendo-aqui&#8221; girando sem parar na minha cabeça.</p>
<p>Mas ainda no primeiro dia ela chegou: ah, a primeira descida sem quedas! Ah, agora eu sinto que sei o que estou fazendo! Sinto que como todo viciado em heroína eu vou passar a vida tentando repetir aquele &#8220;high&#8221; original.<br />
A sensação é comparável a comandar uma montanha-russa com os próprios pés. Botar a quinta marcha e acelerar numa estrada que não tem limite de velocidade.</p>
<p>O vento que passa a me fazer sentir desperta, viva. A paisagem do céu tão turquesa, dos pinheiros tão brancos, das montanhas tão majestosas que já pode começar a ser apreciada. O medo que se transforma em adrenalina. Tanta intensidade, tanta beleza.</p>
<p>Tudo isso pra dizer que em Vancouver havia apenas um programa que eu não podia deixar de fora: esquiar em Whistler. O complexo, que fica a cerca de 150 km de da cidade-sede dos Jogos Olímpicos, é frequentemente votado como uma das melhores estações de esqui da América do Norte. Um destino que dispensa maiores apresentações para os amantes esportes de inverno.</p>
<p>Conseguimos um bom pacote, oferecido pela cia Greyhound: CAD$130, pelo transporte ida e volta de ônibus, bilhete de entrada da montanha e aluguel de todo o equipamento. E naquela quarta-feira, o céu não tinha uma nuvem. A temperatura estava na casa dos zero graus. 17 cm de neve haviam caído durante a madrugada anterior. E tradicionalmente durante as Olimpíadas de Inverno as montanhas que sediam as provas costumam ficar bem mais vazias. Isso porque os habitues ficam com medo de enfrentar as multidões que vêm acompanhar as competições ou apenas curtir a atmosfera festiva da cidade.</p>
<p>E pra fazer esse dia ainda mais perfeito, só faltava uma coisa: a companhia do novato Beto, com quem eu ia dividir minha paixão pelo esporte pela primeira vez.</p>
<p><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-2.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-2.jpg?referer=');"><img class="alignnone size-full wp-image-1014" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px;" title="whistler-blog 2" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-2.jpg" alt="whistler-blog 2" width="500" height="375" /></a></p>
<p>E eis que a nossa primeira tentativa de descida juntos teve ares de tragédia anunciada: devido às altas temperaturas o solo estava mais pra gelo, duro e escorregadio, do que pra neve. Meu querido novato ficou frustrado ao sentir que a descida era muito acima do seu nível e ameaçou passar o dia num bar tomando cerveja após poucos minutos de tentativas e quedas.</p>
<p>O que tornava a situação particularmente preocupante era que esta era a pista que estava claramente marcado como a mais fácil de toda a montanha.<br />
Mas seguindo a dica de um instrutor, entramos de volta nas gôndolas para subir mais alto, onde a neve estaria em melhores condições.</p>
<p>Chegando lá em cima, um segundo de distração foi o que bastou: nós nos perdemos um do outro. Na minha primeira verdadeira descida tudo que fiz foi procurá-lo. Nada. A montanha era difícil, exigente. Várias pistas bastante estreitas, sem proteções laterais, bastante inclinadas e longas. Muito mais íngremes do que aquela primeira pista onde o Beto quase desistiu.</p>
<p>E o que poderia ter sido um dia de delicioso desafio virou uma eternidade de angústia. Passei horas temendo pelas pernas do Beto, pelo nariz do Beto, pela vida do Beto. Tendo como vista uma das paisagens mais lindas que já vi em toda a minha vida. Dentro de um dos meus mais sonhados destinos. Esquiando e rezando, por vezes tonta de medo, lutando pra controlar minha emoções.  Mas falhando pateticamente durante quase todo o tempo.</p>
<p>Chorei de alívio ao reencontrar meu amor que tinha um ar feliz e que, fora um queixo vermelho e ralado, parecia estar com todos os membros intactos. E que, aparentemente, se divertiu bem mais do que eu. Por que que a gente é assim?</p>
<p><a href="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-3.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-3.jpg?referer=');"><img class="alignnone size-full wp-image-1015" style="margin-top: 10px; margin-bottom: 10px;" title="whistler-blog 3" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2010/02/whistler-blog-3.jpg" alt="whistler-blog 3" width="500" height="375" /></a></p>
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		<title>A Antigua já não é virgem</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 18:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Words]]></category>
		<category><![CDATA[pays]]></category>
		<category><![CDATA[incident]]></category>
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		<description><![CDATA[Já no primeiro dia em Antigua Guatemala, você se toca que tua linda noiva mentiu quando te disse que ainda era virgem.

Quando você deita os olhas nela pela primeiríssima vez, fita suas curvas intocadas de paralelepípedos, seca suas praças arredondadas, mira o blush rosa pastel das suas paredes, ela parece tão casta. 

Mas não demora muito e ela vira o pescoço, e dobra uma esquina, e o vento desnuda suas pernas. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Este texto foi escrito em inglês pelo Roberto e traduzido em português pela Bianca)</em></p>
<p><em> </em></p>
<div id="attachment_172" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><em><em><img class="size-medium wp-image-172" title="antigua" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2009/12/antigua3-300x225.jpg" alt="Arcos da Antigua" width="300" height="225" /></em></em><p class="wp-caption-text">Arcos da Antigua</p></div>
<p><em> </em></p>
<p>Já no primeiro dia em Antigua Guatemala, você se toca que tua linda noiva mentiu quando te disse que ainda era virgem.</p>
<p>Quando você deita os olhas nela pela primeiríssima vez, fita suas curvas intocadas de paralelepípedos, seca suas praças arredondadas, mira o blush rosa pastel das suas paredes, ela parece tão casta. Ela é a pureza personificada. Mas não demora muito e ela vira o pescoço, e dobra uma esquina, e o vento desnuda suas pernas. Esfrego os olhos e pisco tres vezes em frente ao que parece ser um Mcdonald’s. Esfrego de novo. E marota, ela acena praquele palhaço listrado boboca que teima em me sorrir seu sorriso amarelo. <em>Puta que me pariu, Ronald.</em></p>
<p>Ela é dissimulada, e la se vao minhas parcas ilusões. Afinal, vim pra destinação turística por excelência dos mochileiros britânicos, segundo uma revista gringa cujo nome me falha à memória. Uma cidade onde hordas de moleques vem aprender espanhol de dia pra esquecer tudo num pub irlandês <em> </em></p>
<p>Sim, muitos homens já deslizaram as mãos ásperas nessas curvas modestas e a penetraram antes de tu, rapá. Mas porra, que a garota aprendeu direitinho como te dar prazer…</p>
<p>Antigua é feito um emaranhado de casas de bonecas, isso se as casas de bonecas fossem arquitetadas em estilo barroco espanhol. Ela é um pouco limpinha demais. Suas residências pintadas em cores cheguei, descascadas apenas o suficiente pra  exalar um charme rústico, um pouco elegante demais, com seus restaurantes finos iluminados pelas infalíveis velas que descansam em suas mesas.</p>
<div id="attachment_152" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-152" title="igreja antigua" src="http://mojotrotters.com/wp-content/uploads/2009/12/igreja-antigua2-300x225.jpg" alt="Uma das deslumbrantes igrejas de Antigua, Guatemala" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Uma das deslumbrantes igrejas de Antigua, Guatemala</p></div>
<p>Mas quem sou eu pra fazer pouco caso dessa princesinha que, por Deus, é tão charmosa? Flanar por suas ruas coloridas proporciona horas de irreflexão ao filósofo preguicoso: será que os turistas sao atraídos feito mariposas pelas suas cores vivas ou as mesmas cores existem por e para eles? E ao dobrar uma esquina e dar de cara com uma igreja magnífica, pra já na próxima  contemplar as misteriosas ruínas do que já foi um dia um lugar de prece, seu fôlego vai vacilar por alguns segundos. Ler um livro sentado no Parque Central, um memorial verdejante de glórias de outrora é um prazer que se degusta sem pressa.</p>
<p>E o mercado. Ah, o mercado, como começar a descrevê-lo? Um labirito infinito de barracas mal iluminadas, centenas delas, transbordando de frutas, tecidos maias, acessórios para celular e piratarias de toda ordem. A sensação é de se estar percorrendo uma gruta claustrofóbica com suas estalagmites de plástico e stalagtites de ferro torcido. Eu desafio você a conseguir voltar numa barraquinha já visitada sem a ajuda de uma bússola e uma provisão de ãgua que baste para dois dias e duas noites.</p>
<p>E cai a noite. As ruas se esvaziam e os bares enchem. Dos alto-falantes, uma insistente música pop fm que, numa cidade montanhosa emoldurada por vulcões antigos, um oásis de serenidade nesse mundo caótico, é tão apropriada como um desavisado traficante invadindo um círculo de meditação zen budista e gritando, “vai um papel aí, mermão???”</p>
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