Words
Todos estamos conectados: versão hindu
Quando uma mulher prestes a dar a luz não encontrou um leito disponível no hospital particular da região, sua família ligou para o Manu.
Quando o dono de uma mercearia foi pego ao vender maconha pros turistas – sem ter pago a devida propina aos policiais antes – ele chamou o Manu.
Advogado, dono de hotel e filho de políticos, Manu é o padroeiro informal de Varkala.
Numa pequena cidade à beira mar no estado de Kerala, a polícia cumpre o seu papel de proteger. No caso, a proteção é pra quem paga o baksheesh (ou propina) em dia. Comerciante que tem mais, paga mais. Quem quiser vender álcool – e quem não quer numa cidade turística que atrai principalmente europeus? – deve pagar suas parcelas em dia, sob o risco de perder o negócio.
Ao caminhar com Manu pela rua principal de Varkala, é fácil perceber a sua influência. Todos o cumprimentam, alguns o puxam de lado para fazer pedidos, trocar cartões ou fazer confidências na língua local. Seu telefone toca sem parar: hora de ajudar um pobre motorista de moto-táxi, que foi preso por um delito mínimo e não tem dinheiro para contratar um advogado.
O hotel de Manu é novo, enfrenta concorrência de centenas de outros negócios e não aparece no guia Lonely Planet, a bíblia dos viajantes independentes. Mas mesmo assim, nesse momento o seu estabelecimento está operando em ocupação máxima.
Isso porque uma mão lava a outra: os motoristas de moto-táxi, ao receber turistas sem reservas na estação de trem, têm uma indicação na ponta da língua pra fazer. Os donos de restaurantes vizinhos, amigos e protegidos de Manu, também não hesitam ao recomendar o Golden Beach a quem pergunta.
E quando eu pedi que o Manu me dissesse onde ficava um determinado restaurante que me havia sido recomendado, ao invés de me entregar um mapinha xerocado, ele me acompanhou até lá pessoalmente. Manu é amigo dos donos (claro), e minha refeição saiu… de graça. “Amigo do Manu é amigo nosso”, eu ouvi. “Volte amanhã”!
Todos estamos conectados. Essa é a famosa teoria da física quântica, dos adeptos de filosofia de auto-ajuda como “The Secret” e várias correntes espirituais e religiosas, entre elas o hindu Vedanta.
Na Índia, isso é não é uma crença: é uma realidade. Sem conexões, você não abre um negócio, consegue licenças, contorna a sufocante burocracia indiana ou tira um visto (foi graças a nosso amigo indiano Harveen, amigo do cônsul, que conseguimos contornar uma regra que impede que não-residentes de Cingapura tirem um visto pra Índia por lá). E se fazer conexões fosse uma língua, o Manu seria fluente.
Também ajuda o fato de que o Golden Beach Resort em North Cliff – próximo à Black Beach – seja bem localizado, tenha quartos simples mas limpos e baratinhos (de $4 a $16 dólares, dependento da vista e da temporada) e vista pro mar. O Manu é porreta. Até eu tô recomendando.
Comments
Minha querida, achei excelente o seu post, a única coisa que me chamou atençao foi “dar o parto” , acho que esta expressao nao existe, é dar a luz, ou entrar em trabalhos de parto… se nao me engano, pois faz muito tempo… 29 anos???
O Bi…. traz esse tal de Manu pra cá… pelo que dá pra enter ele é ‘o cara’ – e não o Lula como disse, certa feita, o Barak Obama !
Acho que se vc fizer um pequeno estágio com Manu, vc vai voltar pra Montreal dando nó em pingo d’água.
Opa… falha nossa. To falando que nem a Luciana Superpop Gimenez. Corrigido, valeu!
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