mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from India
  • on 2010.11.15

Todos estamos conectados: versão hindu

Quando uma mulher prestes a dar a luz não encontrou um leito disponível no hospital particular da região, sua família ligou para o Manu.

Quando o dono de uma mercearia foi pego ao vender maconha pros turistas – sem ter pago a devida propina aos policiais antes – ele chamou o Manu.

Advogado, dono de hotel e filho de políticos, Manu é o padroeiro informal de Varkala.

Numa pequena cidade à beira mar no estado de Kerala, a polícia cumpre o seu papel de proteger. No caso, a proteção é pra quem paga o baksheesh (ou propina) em dia. Comerciante que tem mais, paga mais. Quem quiser vender álcool – e quem não quer numa cidade turística que atrai principalmente europeus? – deve pagar suas parcelas em dia, sob o risco de perder o negócio.

Ao caminhar com Manu pela rua principal de Varkala, é fácil perceber a sua influência. Todos o cumprimentam, alguns o puxam de lado para fazer pedidos, trocar cartões ou fazer confidências na língua local. Seu telefone toca sem parar: hora de ajudar um pobre motorista de moto-táxi, que foi preso por um delito mínimo e não tem dinheiro para contratar um advogado.

O hotel de Manu é novo, enfrenta concorrência de centenas de outros negócios e não aparece no guia Lonely Planet, a bíblia dos viajantes independentes. Mas mesmo assim, nesse momento o seu estabelecimento está operando em ocupação máxima.

Isso porque uma mão lava a outra: os motoristas de moto-táxi, ao receber turistas sem reservas na estação de trem, têm uma indicação na ponta da língua pra fazer. Os donos de restaurantes vizinhos, amigos e protegidos de Manu, também não hesitam ao recomendar o Golden Beach a quem pergunta.

E quando eu pedi que o Manu me dissesse onde ficava um determinado restaurante que me havia sido recomendado, ao invés de me entregar um mapinha xerocado,  ele me acompanhou até lá pessoalmente. Manu é amigo dos donos (claro), e minha refeição saiu… de graça. “Amigo do Manu é amigo nosso”, eu ouvi. “Volte amanhã”!

Todos estamos conectados. Essa é a famosa teoria da física quântica, dos adeptos de filosofia de auto-ajuda como “The Secret” e várias correntes espirituais e religiosas, entre elas o hindu Vedanta.

Na Índia, isso é não é uma crença: é uma realidade. Sem conexões, você não abre um negócio, consegue licenças, contorna a sufocante burocracia indiana ou tira um visto (foi graças a nosso amigo indiano Harveen, amigo do cônsul, que conseguimos contornar uma regra que impede que não-residentes de Cingapura tirem um visto pra Índia por lá). E se fazer conexões fosse uma língua, o Manu seria fluente.

Também ajuda o fato de que o Golden Beach Resort em North Cliff – próximo à Black Beach – seja bem localizado, tenha quartos simples mas limpos e baratinhos (de $4 a $16 dólares, dependento da vista e da temporada) e vista pro mar. O Manu é porreta. Até eu tô recomendando.

Comments

3 people commented so far
  1. Minha querida, achei excelente o seu post, a única coisa que me chamou atençao foi “dar o parto” , acho que esta expressao nao existe, é dar a luz, ou entrar em trabalhos de parto… se nao me engano, pois faz muito tempo… 29 anos???

    by Eliana on 2010.11.16
  2. O Bi…. traz esse tal de Manu pra cá… pelo que dá pra enter ele é ‘o cara’ – e não o Lula como disse, certa feita, o Barak Obama !
    Acho que se vc fizer um pequeno estágio com Manu, vc vai voltar pra Montreal dando nó em pingo d’água.

    by J. Carlos on 2010.11.17
  3. Opa… falha nossa. To falando que nem a Luciana Superpop Gimenez. Corrigido, valeu!

    by Bianca M. Saia on 2010.11.17

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