Words
A Antigua já não é virgem
(Este texto foi escrito em inglês pelo Roberto e traduzido em português pela Bianca)

Arcos da Antigua
Já no primeiro dia em Antigua Guatemala, você se toca que tua linda noiva mentiu quando te disse que ainda era virgem.
Quando você deita os olhas nela pela primeiríssima vez, fita suas curvas intocadas de paralelepípedos, seca suas praças arredondadas, mira o blush rosa pastel das suas paredes, ela parece tão casta. Ela é a pureza personificada. Mas não demora muito e ela vira o pescoço, e dobra uma esquina, e o vento desnuda suas pernas. Esfrego os olhos e pisco tres vezes em frente ao que parece ser um Mcdonald’s. Esfrego de novo. E marota, ela acena praquele palhaço listrado boboca que teima em me sorrir seu sorriso amarelo. Puta que me pariu, Ronald.
Ela é dissimulada, e la se vao minhas parcas ilusões. Afinal, vim pra destinação turística por excelência dos mochileiros britânicos, segundo uma revista gringa cujo nome me falha à memória. Uma cidade onde hordas de moleques vem aprender espanhol de dia pra esquecer tudo num pub irlandês
Sim, muitos homens já deslizaram as mãos ásperas nessas curvas modestas e a penetraram antes de tu, rapá. Mas porra, que a garota aprendeu direitinho como te dar prazer…
Antigua é feito um emaranhado de casas de bonecas, isso se as casas de bonecas fossem arquitetadas em estilo barroco espanhol. Ela é um pouco limpinha demais. Suas residências pintadas em cores cheguei, descascadas apenas o suficiente pra exalar um charme rústico, um pouco elegante demais, com seus restaurantes finos iluminados pelas infalíveis velas que descansam em suas mesas.

Uma das deslumbrantes igrejas de Antigua, Guatemala
Mas quem sou eu pra fazer pouco caso dessa princesinha que, por Deus, é tão charmosa? Flanar por suas ruas coloridas proporciona horas de irreflexão ao filósofo preguicoso: será que os turistas sao atraídos feito mariposas pelas suas cores vivas ou as mesmas cores existem por e para eles? E ao dobrar uma esquina e dar de cara com uma igreja magnífica, pra já na próxima contemplar as misteriosas ruínas do que já foi um dia um lugar de prece, seu fôlego vai vacilar por alguns segundos. Ler um livro sentado no Parque Central, um memorial verdejante de glórias de outrora é um prazer que se degusta sem pressa.
E o mercado. Ah, o mercado, como começar a descrevê-lo? Um labirito infinito de barracas mal iluminadas, centenas delas, transbordando de frutas, tecidos maias, acessórios para celular e piratarias de toda ordem. A sensação é de se estar percorrendo uma gruta claustrofóbica com suas estalagmites de plástico e stalagtites de ferro torcido. Eu desafio você a conseguir voltar numa barraquinha já visitada sem a ajuda de uma bússola e uma provisão de ãgua que baste para dois dias e duas noites.
E cai a noite. As ruas se esvaziam e os bares enchem. Dos alto-falantes, uma insistente música pop fm que, numa cidade montanhosa emoldurada por vulcões antigos, um oásis de serenidade nesse mundo caótico, é tão apropriada como um desavisado traficante invadindo um círculo de meditação zen budista e gritando, “vai um papel aí, mermão???”
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