Words
Essa hippie charmosa chamada Vancouver
Vancouver é uma cidade que tem bastante em comum com o Rio de Janeiro. E não estou falando apenas da mistura de mar e montanhas. É que o sol, tanto aqui como lá, faz as vezes de maquiagem. Ele pode tornar o que já é naturalmente belo em algo sublime. Destacar as curvas e ressaltar os recortes e o brilho dos olhos das cidades. Ausente, as mesmas cidade acordam de cara amassada e ressaca. Ficam as formas, somem muito da sensualidade e da exuberância.
Eu tive que me contentar até agora com a Vancouver nada glamourosa dos dias chuvosos. Pois se eu for esperar a chuva passar, não saio de casa.
Vancouver está me ensinando a comer comida japonesa. A aceitar com serenidade os caprichos da natureza. Me fazendo encarar o lado barra-pesada dos seus junkies, parte integrante da paisagem. E me mostrando um tipo de desenvolvimento no sentido mais humano do termo: o desenvolvimento bio-eco-local-sustentável-vegan disponível em quase todas as suas esquinas. Até cachorro-quente na rua tem uma opção vegetariana.
Ainda não sinto pra valer que a jornada de um ano começou. Talvez por estar hospedada na casa das minhas amigas de infância. Talvez por ainda estar, apesar das enormes diferenças, no meu país. Talvez porque a realidade não vai bater de uma vez. Mas é como se eu tivesse simplesmente passando uns diazinhos em outro lugar.
Tem uma coisa, no entanto, que mudou bastante: entrar em lojas e fazer compras não é mais programa pra mim. Olho de relance os sapatos, roupas e badulaques com desprendimento e desinteresse. E nem pense que é porque eu tenha subido uns degraus na cadeia espiritual.

Como não estou voltando pra casa, eu realmente não posso comprar nada: trouxe tudo o que preciso e qualquer objeto a mais só vai pesar nas minhas costas. O resultado? Me sinto agradavelmente leve, livre. Como se tivesse acabado de comer uma bela refeição: todo meu corpo me diz que, ufa, já não preciso de mais nada.
Veja mais fotos dessa bela cidade aqui.
Comments
E não dá vontade de comprar aquele super tênis, levíssimo, ou uma jaqueta que enfrenta qualquer frio de 34 países?
Bi e Beto, uma ótima viagem pra vcs! Foi ótimo conhecê-los, ainda que brevemente…Tenham a certeza de que ganharam um leitor fiel e um frequentador assíduo! Além de um admirador, claro. Um bjo e um abraço, Rafa Prada.
Dani: se tem um lugar onde se entende de frio eh o Canada, muito obrigada.
Rafa: que legal te ver por aqui. Tambem adorei te conhecer. Um beijo grande e mande noticias de Fiji – ops, Monte Fuji – pra nos, ok?
Fantástica a ideia e o site de vocês! Me identifiquei por completo com esse sonho!
O meu, por enquanto, é conhecer todas as capitais brasileiras.
Bom, não sei ainda como começaram, mas meu capital inicial para começar uma experiência lá fora é apenas a venda de um carro celta, rs. Depois de ter o visto negado pros EUA, quero tentar Canadá. Sou jornalista recém-formada, sei apenas inglês e quero estudar mais fotografia. Aproveito para pedir uma dica: Vancouver ou Montreal? Me empolguei com esse último, pois seria algo como uma Europa no continente americano e adoro cultura francesa. Mas os pacotes pra Vancouver estão parecendo mais baratos (penso ficar de 6 meses a 1 ano). E, pra completar, esse seu depoimento sobre veg food até no cachorro-quente da esquina foi bem sedutor (sou vegetariana há 4 anos). Bom, se puderem me ajudar, agradeço MUITO! Abs e parabéns pelo trabalho. Adicionei vcs no flickr.
PS: Ah, e em qual dessas duas cidades o inverno é menos rigoso? Vancouver ou Montreal?
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