mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from New Zealand
  • on 2010.03.11

Como acampar (quase) de graça na Nova Zelândia

No Brasil, a compra de um carro é todo um evento. Quem pode, compra zero, com cheirinho de novo e coisa e tal. Quem pode menos, compra zero, economiza nos opcionais, paga em 24 ou 72 prestações e leva os amigos pra uma voltinha no quarteirão com o som no talo. Quem pode menos ainda, compra um 92 com trio elétrico e, conforme a paixão, passa os fins-de-semana encerando a carroceira.

Na Nova Zelândia, a compra de um carro é um ato quase tão banal como ir supermercado. Pegue, pague. Não tem DETRAN ou despachante. O processo de transferência de proprietários, despido de qualquer fila, pompa ou circunstância, é feito numa agência de correios, custa menos de 10 dólares e leva 10 minutos.

Sem contar os preços baixos. A oferta abundante de carros importados japoneses, que aguentam firme muitos anos de estrada. O fluxo enorme de gente chegando e saindo. Para o viajante um pouco mais descolado, comprar um carro pra viajar no país e vendê-lo antes de partir é o canal. A não ser que você queira percorrer o país pegando carona, não há maneira mais econômica de viajar pela Nova Zelândia. E como o Beto já explicou nesse post, não há maneira mais conveniente ou versátil de viajar aqui do que com o seu próprio veículo.

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A título de comparação, formos checar o custo do aluguel de uma campervan por 5 semanas, que é o período que pretendemos passar na Noza Zelândia. Uma facada: $3100 NZ dólares, ou $3800 reais. Praticamente o preço que pagamos pelo Edgar. E que pretendemos recuperar totalmente antes de tomar o avião pra Austrália. Claro que o motor sempre pode fundir na nossa mão. Ou a gente pode ter que ficar mais tempo aqui do que o planejado para conseguir vender o veículo.

Mas estamos, afinal de contas, no país dos esportes radicais, e resolvemos que correr riscos é parte integrante da experiência cultural.

Você pode comprar um carro comum e dormir em albergues, alojamentos ou numa barraca todas as noites. Ou você pode fazer com a gente e comprar uma campervan, que nada mais é do que uma van transformada em mini-trailer. Completa, com cama, cozinha, vara de pescar e o escambau, você fica livre do restaurante e das diárias de hotel. Com o bônus de poder dormir e fazer sua refeições com uma vista diferente todos os dias, dar um apelido engraçadinho pro carro e, se for criança nascida nos anos 80 como nós, realizar a sua fantasia de ser hippie por um mês.

Só tem um pegadinha: pelo menos no Norte do país é proibido acampar em áreas públicas (reza a lenda que no Sul é bem mais tranquilo). O viajante teria que se restringir a campings pagos. Claro que de vez em quando a gente fica feliz de pagar por um chuveiro quente e uma cozinha limpinha pra lavar a louça. Mas não todas as noites: queremos dormir em frente às colinas, ter como vista o mar azul, brincar de intrépidos exploradores, não ter nenhuma luz à vista para dormir em meio às estrelas.

Além disso, somos brasileiros,  não desistimos nunca e fazemos questão de economizar um tutu, que pretendemos reinvestir muito em breve no mercado de esportes radicais. Confira nossas dicas pra driblar o sistema:

1- Perca o medo de ser pego

Essa talvez seja a dica fundamental. E talvez a dica mais fácil de se sugerir e mais difícil de aplicar. Ontem tivemos que ir a Auckland resolver uns pepinos e, pra economizar hotel, decidimos dormir estacionados numa rua de um bairro tranquilo, em plena cidade. Eu, como boa brasileira, fiquei meio aflita temendo os malandros batendo no nosso vidro com um 3 oitão no meio da madrugada. O Beto, como bom semi-gringo, ficou meio aflito pensando nos vizinhos ligando pra polícia. Mas Auckland é mais tranquilo que igreja em sábado de Carnaval e saímos dessa sãs e salvos. Na dúvida, peça que um local (não muito careta) te indique um lugar.

2 – Se parar em lugar proibido, saia cedo

Uma noite encontramos um terreno baldio, atrás de uns pinheiros altos, sem placas pra cortar nosso barato, sem casas por perto. Resolvemos chamar o terreno de nosso lar. Mas, lembra?, no Norte da Nova Zelândia é proibido acampar em locais públicos. Dito e feito: pela manhã, enquanto comíamos torradas, veio o fiscal do “bairro” e nos lembrou delicadamente do nosso delito. Não fomos multados, mas aprendemos a lição: se for fazer coisa errada, faça direito. Saia cedo, e de fininho, enquanto o fiscal ainda estiver dormindo.

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3 – Use os acampamentos do DOC

Além dos campings comerciais, o DOC – Department of Conservation – opera cerca de 120 terrenos de camping espalhados na Nova Zelândia, quase sempre em lugares lindos e isolados. Eles ficam situados em reservas, parques nacionais, florestas ou parques marítimos. As instalações desses campings são bem simples: no máximo, torneira de água fria, banheiros e buraco para fogueira.

Além de você estar num local privilegiado, a diária é bem econômica, na faixa dos NZ$9 dólares por pessoa.

E detalhe: você deixa o pagamento em uma espécie de cofrinho – chamado “caixa de honestidade” -  na entrada do estabelecimento. Geralmente, não tem ninguém pra checar quem paga, quem entra ou sai. Peça para seu anjinho e seu diabinho tirarem um par ou ímpar.

4- Dica muito malandra e não endossada pelos Mojos

Nos campings privados você paga cerca de NZ$18 dólares por pessoa, por noite. Muito dinheiro por um pedacinho de grama todo niveladinho e desprovido de qualquer senso de aventura, não é?

Mas olha só: após as 20hs, geralmente o escritório do camping fecha e só abre de novo lá pelas 8 da manhã. Já o terreno do camping permanece aberto para entradas ou saídas de carros. Ou seja: você tem uma janela de 12 horas de “boca livre”. Mas não faça isso, é muito feio.

5 – Compre um chuveiro solar e use banheiros públicos

O maior inconveniente de se acampar em locais não designados para isso é lidar com a falta de água e de banheiro. Mas você pode diminuir o desconforto comprando um chuveiro solar, que transforma a luz do sol em água morna e que te permite tomar um banho até que razoável no fim do dia. Há banheiros públicos nas praias, nos postos de gasolina, nos restaurantes de estrada. E mantenha sempre um bom estoque de água no carro para poder cozinhar e lavar a louça.

Adendo intraduzível:

6 – If this van is rocking, don’t come a-knocking

Just don’t.

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Comments

2 people commented so far
  1. Bi, tá ficando cada vez melhor! O site de vocês é leitura obrigatória.

    Agora, fala a verdade, tu fez uso da dica 4, vai…Pode falar a verdade, ninguém aqui vai te dedar, pode ficar tranquila. Rsrs! Bjocas pra ti, abraço pro Beto e keep up with the good work!

    PS: Prometo NUNCA bater se, um dia desses, encontrar o Edgar por aí. :)
    PS2: Passei hj pelo “Monte Fiji” e lembrei de vc…rs! Não deve ser tão lindo como são as “Ilhas Fuji”, mas também é sensacional!

    by Rafa Prada on 2010.03.13
  2. Valeu Rafinha!

    Quanto a dica número 4, sinto dizer que, apesar da tentação, ainda não fizemos isso. Sei lá, vai ver que esses 5 anos de Canadá me deixaram ligeiramente mais certinha :)

    Ah, e quanto ao Monte Fiji… hehehehhe, que bom que vc curtiu! Será que vamos poder ter acesso as fotos e, quem sabe, as histórias dessa sua viagem? O Japão é um lugar que eu morro de vontade de conhecer!

    by Bianca M. Saia on 2010.03.13

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