mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from Fiji
  • on 2010.03.02

Como sobrevivemos ao Tsunami em Fiji

tsunami 1

-Bianca! Minha mãe acaba de me mandar uma mensagem pelo celular. Na noite passada, houve um terremoto no Chile. E ela avisou que há risco de um Tsunami atingir Fiji às 9 da manhã!

Ainda de pijama, com os cabelos desgrenhados e ar agitado a turista inglesa me abordou, às 7 da manhã, no jardim do resort. Eu, sonolenta, dividia minha atenção entre as notícias e a colorida alvorada que eu havia levantado para assistir junto ao Beto. Sorry, a tsunami?

Em pouco tempo já não se falava em outra coisa. Presos numa ilha sem televisão ou internet, as notícias eram escassas. Encontramos um rádio ligado na recepção do hotel. O Beto, 3 fijianos e eu paramos para ouvir o boletim. Uma mulher saiu da recepção carregando cerca de 10 grandes lanternas verde-musgo. O locutor dava maiores detalhes sobre os mortos em Chile e pedia:

-Atenção a todos em Fiji. É preciso agir agora. Todos devem evacuar as áreas próximas da costa. Esse aviso deve ser levado a sério!

Começamos a fazer as vezes de porta-voz para os outros turistas, que, preocupados, nos pediam maiores detalhes. Achei graça quando um alemão comentou, apontando para o Beto :
-Nossa, esse cara parece um repórter!

Durante o café-da-manhã recebemos as instruções de Berry, gerente do resort. Entre as nove e dez da manhã todos deveriam se dirigir ao deck localizado no andar superior do terreno. A boa notícia era que, ao contrário da maioria das ilhas que visitamos, esse resort tinha dois níveis. Ou seja: era possível ficar acima do nível do mar e escapar da maré que, durante um tsunami, varre a costa.

tsunami 2
Berry, a.k.a. Strawberry, mandou todo mundo subir no deck.

Isso reconfortava a maioria. Mas não todos: uma menina, que dizia que todos pareciam calmos demais, queria escalar a montanha, temendo o pior. Eu, secretamente, desejava fazer a mesma coisa. Tanto para me proteger como para aumentar as chances de assistir o fenômeno de um ângulo mais privilegiado. O que me faltou foi a auto-confiança para ser a voz dissidente de um grupo de mais de 50 pessoas.

9 horas. Berry deu o alarme usando uma concha como sirene. Feito apito de navio, o som era grave e longo. Os turistas e os fijianos se aglomeraram no deck.

9 horas e meia e o mar parecia um lago de tão calmo. Mais notícias, dessa vez vindas de um Iphone: a onda que atingiu a Nova Zelândia tinha apenas meio metro de altura. O zumzumzum tenso começava a dar lugar as risadas ou a conversas mais relaxadas. Em pequenos grupos, os turistas jogavam cartas na grama, dormiam na rede, tomavam sol.

O grupo foi se dissipando, sem que nenhum anúncio tenha oficializado o fim do perigo. Naquele dia, não houve tsunami, não houve nada.

E já batiam as 10 horas. Hora de ir à missa de domingo, para a qual fomos todos convidados. Hora de pedir proteção. Ou agradecer. A ilha continuava intacta, e seus habitantes, vivos.

tsunami 3

Comments

4 people commented so far
  1. Bia, Beto..Juro que pensei em vcs! Mas aí vi as atualizações, as fotos, os vídeos e pensei: “Bom, não deve ter acontecido nada!”. Mas, caraca, que susto…Que bom que vcs estão bem!

    Achei engraçado quanto tu escreveu: “Eu, secretamente, desejava fazer a mesma coisa. Tanto para me proteger como para aumentar as chances de assistir o fenômeno de um ângulo mais privilegiado.” Hahaha…Coisa de jornalista, de nego curioso. Devia ter bradado lá e levado todo o povo pra cima, Bi.

    Brincadeiras à parte, agora é aproveitar NZ, certo? Uma bjoca…Rafa Prada

    by Rafa Prada on 2010.03.02
  2. Hey, ainda bem que nao aconteceu nada!!!! Ainda bem que eu nao vi nada antes e só depois que ja estava tudo bem! Eu teria subido a colina com você Bi, teriamos escalado as duas e se uma ondinha mais alta viesse à praia você ia ver quantas pessoas viriam atrás de nós!

    by Eliana Saia on 2010.03.02
  3. Oi, meus queridos! Onde vocês estao? O que estao fazendo? Quero fotos!!!! Beijos da mamae!

    by Eliana Saia on 2010.03.08
  4. Dear mom and everybody else,
    We are campers now. This means that we’re close to the mountains, to the stars, but very far from a wireless connection. And, that for the next five weeks or so the updates will be done less frequently than usual.

    No worries though, we’re fine and eager to share our stories with you as much as possible! :)

    by Bianca M. Saia on 2010.03.09

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