Words
Diários de Couchsurfing: Rob Sajko
Quis a vida que nossa estadia na inóspita cidade de Port Moresby, em Papua Nova Guiné, fosse adocicada (e apimentada) por um anfitrião sem igual: Rob Sajko.
Há dois anos Rob trocou um confortável mas previsível cotidiano australiano por uma aventura em país vizinho e selvagem. Em troca de um contrato interessante numa empresa automobilística e grande parte das despesas pagas, Rob veio tentar botar certa ordem na bagunça corporativa de PNG. Chefiar os locais que baixam a cabeça para o homem branco, mas que segundo ele invariavelmente roubam o escritório quando ninguém está olhando.
Muitas águas rolarem desde os três primeiros meses após sua chegada, onde Rob só pensava em voltar pra casa. “Sofri muito, muito mesmo, no começo. Mas meus amigos australianos ainda estão presos nas mesmas rotinas, bebendo as mesmas cervejas, falando sobre os mesmos assuntos. Quando eu volto pra casa é difícil entrar na sintonia deles. Ter vindo pra cá me tornou uma pessoa tão mais experiente e com uma visão de mundo que eu jamais poderia ter adquirido se eu tivesse ficado em casa”.
A gratidão de Rob é compreensível. Mas, confesso, admirável. Uma coisa é sair do Brasil em busca de uma vida mais confortável, seja no Canadá, na Inglaterra ou na Austrália. Outra coisa é sair da Austrália e ir parar em Port Moresby.
Violência, cólera, calor sufocante, espaços públicos de lazer inexistentes, legumes e frutas caros como chocolate suíço, chocolate suíço caro como ouro, vida marinha contaminada, Internet caríssima. Port Moresby é isso, sim. E muito mais, como nos conta Rob:
“Todo mundo que nasceu aqui têm uma história triste pra contar. Mas a gente se apega à esse país. Eu gosto da vida social entre a comunidade dos expatriados. Pude fazer viagens incríveis dentro do país e conhecer pessoas fantásticas. Sem falar no Couchsurfing, que me abriu tanto a cabeça”.
Pois nós fomos dois dos felizardos a entrar nesse país por um porto seguro.
Rob foi como um padrinho desde o primeiro minuto, ao nos buscar no aeroporto em plena segunda-feira de manhã. Quando ao nos levar pra andar de canoa e velejar no Yatch Club, pudemos ver a cidade de Port Moresby na luz do pôr-do-sol e na brisa fresca do fim de tarde, fazendo a cidade me parecer bela pela primeira vez.
Quando no jogo de estréia do Brasil na Copa do Mundo, seu vizinho nos abriu as portas às 3 da manhã pra que assistíssemos a partida numa tela decente. Rob, doido por rugby como bom australiano (e que se lixou pra futebol), acordou na madrugada e nos acompanhou. E, no dia seguinte, tirou a televisão do próprio quarto e botou ela na sala, onde ela ficou até o fim da nossa estadia, pra que a gente não perdesse nenhum jogo.
Rob parecia curtir nossas histórias dentro de Papua Nova Guiné como um pai dedicado, que vibra com as alegrias dos filhos. Também fomos um pouco pais dele, cozinhando o jantar quase todas as noites e preparando suas marmitas pela manhã, para que ele tivesse o que comer no trabalho. Momentos que, segundo ele, eram dos mais preciosos.
Você ainda faz questão de se hospedar em hotéis ao viajar? Você não sabe o que está perdendo.


Comments
Oi filhota,
Pra variar adorei a matéria.
É verdade, por onde quer que a gente vá sempre encotraremos pessoas que nos surpreendem. Felizmente, no vosso caso, positivamente em PNG.
Beijos pra vc e pro Beto.
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