mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from Indonesia
  • on 2010.07.19

O jeitinho indoneasiano

Há quem viaje para escalar montanhas, nadar em mares azul-turquesa, desbravar florestas selvagens. Há quem goste das cidades vibrantes, dos campos tranquilos, das línguas e cultura estrangeiras, das comidas exóticas.

Quanto a nós? Gostamos de tudo isso, claro. Mas a vida em outro país produz incontáveis momentos de descoberta, momentos de cama, mesa e banho, banais e fascinantes ao mesmo tempo. A Indonésia está cheio deles.

Coisas de Cama

1 – A almofada de abraçar

Ao varrer nosso quarto pela manhã, nossa anfitriã em Makassar, Mayke, notou que tínhamos deixado as almofadas que estavam na cama no chão. Em formato cilíndrico, eu deduzi que elas fossem almofadas de decoração, e portanto, inúteis. Rindo muito, Mayke nos explicou que aquela almofada tinha nome, “boaster”, e que nenhum indonesiano podia conceber dormir sem uma delas. Você pode abraçá-la, colocar em baixo das pernas, usar como travesseiro secundário… vale tudo, menos dormir sem um “boaster”. Não foi nada difícil adotar o novo hábito!

2- A falta de lençol

Sim, faz calor na Indonésia, no país inteiro, o ano todo. Então talvez nada mais lógico para eles do que não ter incorporado o hábito que a gente tem de usar dois lençóis, um para cobrir a cama e outro para cobrir o corpo. Em nenhuma casa ou hotel onde estivemos – do mais simples ao mais “sofisticado” – vimos mais do que um lençol na cama. Felizmente eu trouxe uma espécie de saco de dormir feita de cetim, que eu já perdi as contas de quantas vezes usei desde o início da viagem. Porque mesmo num país quente, chega uma hora na noite que dá vontade de se cobrir com uma coisinha.

Coisas de Banho

1 – O sanitário asiático

Aqui a gente não senta. O toalete asiático é incorporado no chão, e para usá-lo, você deve agachar e colocar os pés na porcelana. Um reservatório de água e um baldinho – aqui chamado de mandi -  funcionam como descarga: pense naquelas vezes onde faltou água na sua casa. Também não há papel higiênico: você deve se servir da água do baldinho para se limpar. Sempre com a mão esquerda. Se você acha tudo muito esquisito e anti-higiênico, pode apostar que essa é a opinião deles dos nossos métodos. “Todo mundo senta no mesmo vaso? Vocês só se limpam com um papel, não se lavam depois? Éca!”

2 – O “chuveiro” asiático

“Acabou a água”, parte dois. O mesmo recipiente que guarda a água da descarga e a água de “limpeza íntima” é também um reservatório de água para o banho. O “chuveiro” é de água fria e canequinha. O banheiro aqui é minimalista, já que vive constantemente molhado: não há um espaço próprio para o banho ou qualquer espécie de cortina ou box. A água espirra pra todo lado e circula do chão para um buraco ou um cano.

Coisas de mesa

1 – Guardanapo grã-fino

Outro dia, na mesa do jantar, um francês me pediu: “Você pode me passar o… o…” (apontando para um recipiente).

“O PAPEL HIGIÊNICO, VOCE QUER DIZER?” eu respondi, fazendo a mesa composta por europeus cair na gargalhada. Porque não encontrei um jeito fino de declarar o óbvio: aqui, lugar de papel higiênico não é no banheiro, e sim à mesa. Cada restaurante ou boteco tem um recipiente colorido diferente, às vezes até com propaganda estampada, como aqueles isopores de cerveja.

2 – Água de beber

Como a água da torneira em todo o país não é própria para o consumo, os indonesianos sempre a fervem antes de beber. Nos restaurantes e botecos é a mesma coisa: você sempre encontra uma jarra de água para se servir. O que pode revelar surpresas, como água com gosto defumado, por exemplo, que provavelmente foi fervida num fogão à lenha. Sei que muito viajante não bebe outra coisa sem ser água mineral. Mas já faz três semanas que tomamos essa água todos os dias e, até agora, nada de piriri.

3 – Garfo e… colher

Indonesiano não come de pauzinho. Aqui, ou você usa a mão ou come de garfo e colher. A colher é usada para levar comida à boca, enquanto o garfo serve para empurrar a comida pra dentro da colher. A faca é desnecessária, já que eles não comem filés de carne ou frango que precisam de corte preciso.

Coisas da rua

1 – É Permitido fumar

Dentro de cybercafés. Em restaurantes. Dentro dos hotéis. Em ônibus de viagem. Nos shoppings, salões de beleza e aeroportos. Em termos de cigarro, aqui ainda se vive como nos anos 60. A maioria dos homens fuma, e eles começam bem cedo. E falando em cigarro: você lembra do Gudang Garang, cigarro de cravo bastante popular entre os adolescentes dos anos 90? Sim, ele é fabricado aqui. E continua bastante popular, entre gente de todas as idades.

Acho que fumo de tabela um meio maço por dia. E ainda não me acostumei.

2 – Religião

Se a Indonésia tem uma trilha sonora, ela é a chamada para a reza, feita pelos muezzin.

A primeira delas é na alvorada, cerca de 4 da manhã. Dá pra ouvir de qualquer lugar, já que numa nação onde 88% da população é muçulmana, uma mesquita nunca está muito longe. O som é amplificado dos templos em altura máxima, chamando os fiéis para as 5 preces diárias.

O uso do véu no país é facultativo, as mulheres dirigem suas mobiletes e caminham sozinhas pelas ruas, e o álcool, apesar de pouco consumido, é permitido. A religião muçulmana aqui é praticada de um jeito bem soft.

Comments

3 people commented so far
  1. He he he he :P sorry for not offering you a blanket I did thought you didn’t need it because it was a hot night. : – ). And dear we do have different tissues for toilet and for table (napkin) :P

    by Mayke on 2010.07.21
  2. Oh, Mayke, don’t you worry because with my sleeping sheet that I carry with me (btw I carry a blanket too) it’s always alright! It’s true that it was hot, but when the fan is blowing towards me I always feel a bit “unprotected”! By the way, I never knew you have two kinds of tissues! For our untrained eyes they look identical. But I will surely ask for some further explanation from my next host :)

    by Bianca M. Saia on 2010.07.23
  3. Tudo muito interessante e muito legal.
    Adorei a matéria.
    Quando eu estudei no colégio interno – por tres anos – nos banheiros tb só tinha esse tipo de vaso sanitário. No começo demorou um pouco pra eu me acostumar – e equilibrar – mas com o passar do tempo, quando eu vinha de féras pra minha casa, aí sim eu estranhava os sanitários de sentar.

    by jose carlos saia on 2010.07.26

Custom Ad

Leave a comment