mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from Indonesia
  • on 2010.07.23

Togean Islands: Chore para sair

Você não acha que lugar é que nem gente? Há os atraentes, os violentos, aqueles difíceis de gostar à primeira vista, os chatos, os frios, os exuberantes, os generosos.

Tem gente que a gente não quer ver nem pintado, e lugar por quem a gente fica babando. Gente por quem faríamos sacrifícios e promessas. Lugar com quem a gente quer casar e ficar juntos o resto da vida.

Viajando a gente encontra todo tipo de lugar. E todo tipo de gente. E descobre lugares como Togean Islands, também conhecido como o número que eu calço, minha menina dos olhos, meu novo amor. Putz, como é bom se apaixonar.

Foram precisos três dias (cruéis) de viagem para botar os pés nas suas areias. E claro, é preciso computar o tempo da volta. O que, em parte, explica seu esplendor: não há jeito fácil de chegar aqui. Ponto a menos para o turismo de massa. Ponto a mais pra quem tiver disposição de encarar a viagem.

Passamos uma seaman esplendorosa em duas de suas ilhas: Kadidiri e Pagempa.

Kadidiri

Nesta ilha, o destino mais popular de quem vem à Togean, três hotéis dividem a areia: Paradise, Black Marlin e Lestari.

Nesses três estabelecimentos, o esquema é pensão completa: café, almoço e jantar. Bebidas à parte. Nada de piscinas, discotecas, ou carrinhos de golfe pra te levar do quarto à recepção: o esquema é rústico, básico mas charmoso. Os bangalôs estão instalados na areia. A eletricidade só funciona das 18hs às 22hs.

O Lestari é o mais despojado: seus quartos, verdadeiros retângulos de madeira, abrigam pouco mais do que um colchão no chão e um mosquiteiro. Uma família está no comando daquele que é a hotel mais barato da ilha: de 75 a 100 mil rúpias por pessoa, por dia (ou de 8 a 11 dólares por dia), incluindo todas as refeições. O único banheiro é dividido entre os 10 quartos. Pra um mochileiro que não quer gastar muito, é uma opção válida. E você ainda encontra por lá fofurinhas como essas:

Logo ao lado, o hotel Black Marlin. O ambiente gira em torno do mergulho:  se você não fizer parte dessa turma, talvez se sinta meio peixe fora d’água. A área comum é bem gostosa e convivial:  ideal para tomar várias cervejinhas em frente ao mar com seus novos amigos. Os quartos são mais mobiliados do que no Lestari, com banheiros privativos, e as diárias vão de 180 mil a 200 mil rúpias (entre 20 e 23 dólares por pessoas, por dia). Ouvimos um comentário negativo do lugar: a comida, apesar de boa, vêm em pouca quantidade e não dá pra repetir. Se você come bastante, talvez saia da mesa com fome.

Finalmente chegamos ao Paradise, a nossa escolha. O nome cai bem: seus bangalôs são espaçosos, com cama king sie, rede na varanda e banheiro de pedra. Depois de 5 meses dormindo em beliches de albergue ou hotéis chinfrins, os Mojos resolveram brincar de lua-de-mel e cacifar o quarto de 200 mil rúpias, ou pouco mais de 20 dólares por pessoa por noite. O que, cá entre nós, para dormir nesse quarto, curtir seus sofás e lounges e jardins, e curtir uma comida deliciosa e farta, é um trocado.

A escola de mergulho do Paradise, chefiada durante nossa estadia pelo francês (mais francês impossível) Bertrand, propõe, assim como no Black Marlin, uma série de cursos de mergulho, do iniciante absoluto ao avançado. Quase todos os dias um barquinho leva os mergulhadores a vários destinos diferentes do arquipélago. Se você, como nós, não é mergulhador acreditado e não tem essa pretensão, peça ao Bertrand para te levar num “Discovery Diving”: a região é mais do que abençoada para isso. O mergulho em Una Una, deslumbrante, deixou até mesmo o Bertrand eufórico, por ter nadado entre um cardume de centenas de barracudas. Entre os mergulhadores, alguns deles com centenas de mergulhos de experiência, o comentário foi unânime: é raro que uma experiência de mergulho seja fascinante e que  a quantidade e variedade de peixes, tão espetacular, como aquela manhã na Indonésia.

Se você realmente não tiver a fim de mergulhar, assim mesmo peça pra ir de carona no barco deles e faça snorkel. O mar parece uma piscina, de tão claro, e dá pra ver muito coisa mesmo da superfície. O almoço é servido numa ilha deserta. Na volta para o hotel, alguns golfinhos ao longe, arco-íris e peixes voadores completam a experiência.

Pagempa

Após quatro noites gloriosas no Paradise, seguimos o conselho de outros viajantes e seguimos viagem para o Fadhilla Cottages, a uma hora de viagem do Paradise. Negociamos um barco a 350 mil rúpias, que levava até 5 passageiros.

O Fadhilla também dispõe de belos bangalôs, a 125 ou 150 mil rúpias por pessoa por noite. Mas de disponível na nossa chegada, apenas o alojamento que na verdade são 4 quartos de casal bem simples, com um colchão no chão e uma mesa, construídos dentro da mesma estrutura e com finas divisórias de madeira. Ou seja: dá para ouvir os vizinhos tossindo, cochichando ou fazendo o que quer que eles queiram fazer aquela noite. O alojamento tem vista pro mar, mas é improvável que você vá querer curtir a vista de dentro deste quarto.

O preço do alojamento é de 100 mil rúpia por pessoa por noite, ou cerca de 12 dólares. Parecia razoável, e resolvemos economizar uns trocados ficando por lá mesmo.

Se em quesito alegorias e quesito figurino o Fadhila perdeu do Paradise, em quesito animação eles foram os campeões. O lugar tinha alma, devido à família do proprietário, todos extremamente simpáticos e envolvidos com os hóspedes. Toda tarde, rolavam partidas de ping-pong e vôlei na areia. As refeições eram pra comer chorando: peixe fresco ou frango (criados e sacrificados por ali mesmo), com cerca de 5 acompanhamentos diferentes, deliciosos e sempre diferentes.

Côco fresco ou seco e canoas estavam à disposição dos hóspedes o dia todo. Uma belíssima barreira de corais pertinho da areia, bem fácil para explorar de snorkel, e um vilarejo de nativos na ilha em frente (que você pode visitar) completavam o cenário.

Togean Islands é atraente como uma estrela de cinema, acolhedora e generosa como sua tia preferida, e charmosa como o seu primeiro amor. Perfeita em todos os aspectos.

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