Words
Wako Napasu, empreendedor admirável
Segundo Joyce Napasu, mulher de Wako, seu marido nunca foi um homem como os outros. Se todos iam para a direita, ele ia para a esquerda. Uma criança inquieta, Wako não se contentou em seguir a trilha da família, que ainda vive de um jeito não tão diferente de como seus ancestrais viviam há milhares de anos.
Wako, dono da agência Country Tours, que existe há cinco anos, construiu a sua prosperidade com as próprias mãos. Nos Estados Unidos, uma história como a dele seria cópia xerox de tantas outras. Mas Papua Nova Guiné não é a terra das oportunidades. Este é um país onde os pais precisam pagar pela educação dos seus filhos, desde o ensino primário. E onde apenas cerca de 25% das crianças têm esse privilégio. Um país onde as brigas por terra ou mulher são resolvidas a golpes mortais de machado. Onde se come o que se planta. Onde os políticos vendem as riquezas naturais a exploradores estrangeiros em troca de propina. Onde falta luz elétrica, água encanada, saneamento básico, cuidados médicos.
Falta também um bem ainda mais precioso para o desenvolvimento de uma nação: o empreendedorismo. Na cidade de Wako, Mount Hagen, grandes parte dos (poucos) negócios que existem são de propriedade dos chineses, que cavaram as oportunidades que ninguém mais viu. Como já descrevemos aqui, grande parte dos nativos de Papua Nova Guiné passam uma boa parte do dia fazendo nada. Seja por falta de trabalho, falta de visão, ou força dos hábitos milenares, da vida antes das cidades.
Nós passamos a noite na casa de um irmão de Wako. Um buraco no chão da sala-cozinha abriga uma fogueira, que serve de fogão e aquecimento. A fumaça invade os quartos e sufoca o nosso sono. O sanitário é um buraco no chão, o chuveiro, um balde no quintal. A família come batata-doce no café da manhã, almoço e jantar. Eles não falam inglês pois não completaram a educação básica.
Mas Wako trabalha, todos os dias, das 8hs às 22hs. Troca e-mails com o mundo inteiro, tem um website, 3 computadores, duas câmeras SLR, filmadora. Sua casa destoa de todas as outras casas da região: uma verdadeira mansão construída com fibras naturais. Um segurança contratado faz a vigia a noite toda. A família tem desde Jeeps 4×4 até um mini-ônibus para servir os turistas. Ele podem se dar ao luxo de pagar pela educação de 4 crianças adotivas e 2 de sangue. Wako já doou uma moto para o pastor da igreja que frequenta, e sempre ajuda a muito mais gente da comunidade.
Wako era o nosso único contato na região serrana de Papua Nova Guiné, os Highlands. Nessa região, que tem as mais primitivas e impressionantes culturas do país, a companhia de um guia é essencial. Nosso desejo era conhecer a cultura local e ficar hospedados em casa de família.
Nos seus 5 anos de agência, nosso pedido era inédito e Wako, acho eu, queria ter certeza que iríamos receber a melhor experiência possível. Para isso, ele nos hospedou na sua própria casa, junto a sua família.
Sim, nós assistimos às demonstrações das tribos dos Highlands, com seus homens e mulheres lindamente decorados. Visitamos uma escola, vários mercados, plantações de chá e café, subimos uma montanha e acampamos na floresta virgem.
Mas o que ficou marcado mesmo foi a vida junto à família Napasu. Ter (tentado) responder às perguntas de Neoma, a filha de 19 anos deles e aprendiz de guia, sobre a vida em Hollywood: “O que eles fazem com todo aquele dinheiro? Eles viajam ou ficam em Nova York? Eles fazem todos cirurgia plástica para terem aqueles corpos?” Ter conversado sobre as praias do Brasil e da neve Canadá, sobre a minha vida pagã, sobre comida e sobre amor no Ocidente, sobre música e dança. Receber cafuné e trocar abraços apertados.
Ter visto as crianças passarem de bichinhos tímidos, que mal queriam dizer seus nomes na nossa chegada, se transformarem em nossos amigos fiéis, nos acompanhando ao centro da cidade, compartilhado seus jogos de balanço e 5 Marias, nos observando de longe ou de perto. E, bem no dia da despedida, o garoto Nathan resolveu sumir. Logo ele, que naquela semana havia até faltado à escola 2 dias pra passar mais tempo com a gente, o que para a sua família era uma forma de aprendizado. “Ele não gosta de despedidas”, foi o que a mãe deduziu.
E a mãe, Joyce, com seu grande coração de mãezona, matriarca doce e forte, me contar dos seus dias de fome. Pude testemunhar sua fé inabalável, seu riso eléctrico, sua liderança tranquila. Joyce não confiava nas suas habilidades de motorista, e dirigia com medo e devagar. Mas fez questão de dispensar o motorista e nos conduzir pra cima e pra baixo. Era mais um dos seus jeitos de nos dar amor. Joyce tinha um joelho que doía e estava longe de ser uma mulher em boa forma. Mas quando fizemos o trekking na montanha, ela foi contra o marido e contra todos que pediram que ela não fosse. “Não aguento deixar vocês dois irem lá e dormirem longe de mim. Eu preciso acompanhar vocês, ter certeza que vocês estão bem”. Isso porque outras 8 pessoas nos acompanharam.
Ter visto o Richard, nosso amigo e guia da montanha, rapagão forte de 17 anos e jogador de rúgby, lutar contra as lágrimas e não querer soltar do abraço de despedida do Beto.
Nessa estranha semana, misturamos amizade e negócios, dinheiro e amor. Ganhamos um bolo enorme de despedida, e o Beto cozinhou o primeiro macarrão bolonhesa que eles já experimentaram. Eles lavaram nossas roupas, e mancharam algumas peças com água sanitária. Fiz eles prometeram que deixariam a Noema me visitar no Canadá um dia (eles prometeram). E no fim, acho que todo mundo entendeu: somos diferentes, sim. Mas nem tanto assim.
Resrvas:
Jessy Pundu
sales@countrytours.com.pg
PH: +(675) 542-1603 or +(675) 698-8806
FAX: +(675) 542-1603
Informacoes:
Wako Napasu
wako@countrytours.com.pg
PH: +(675) 542-1603 or +(675) 682-3923
FAX: +(675) 542-1603





Comments
Oi Bi,
Relato tocante e emocionante. Eu que sou meio emotivo, acho que ficaria chorando o tempo todo
Beijokas
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