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Como ser bela no Vietnã
No Vietnã, mulher não está se matando pra ser magra. Porque na grande maioria das vezes elegantes elas já são.
Ser bela aqui é ter a pele clara. Quer elogiar uma mulher vietnamita? Então mande essa: “Você tem a pele tão branca”! Provavelmente, ela vai ficar vermelha.
A publicidade aqui também cumpre seu lamentável papel de reforçar padrões de beleza fora do alcance da mulher comum. Quem estrela os comerciais e ilustra as capas de revistas são modelos impossivelmente brancas para os padrões locais. Aí é só empurrar cremes, desodorantes, hidratantes e até sabonetes que clareiam a pele. Numa visitinha à farmácia é difícil achar um produto cosmético que não contenha agentes clareadores na sua fórmula. Nas clínicas de estética o tratamento mais popular é o clareamento da pele. Veja esse comercial veiculado na televisão vietnamita em 2009:
Uma das explicações dessa obsessão pela brancura é que grande parte da Ásia ainda vive no sistema agrário. Ser branca, portanto, é um indício que você não é apenas uma camponesa que trabalha numa plantação de arroz. (A propósito, há uma moda entre os homens de deixar a unha do mindinho bem comprida. Tradução: eu não preciso pegar na enxada).
Também é possível que o gosto pela pele branca seja uma tentativa de se aproximar da estética ocidental. Mesmo se, no nosso caso, dá mais status ter a pele morena, o que pra nós tanto é sinônimo de saúde e sensualidade como sinal que você tem grana pra ir pra praia.
Mas o sol do Vietnã é implacável e brilha o ano inteiro. Mesmo morando nas cidades, não há como escapar. Eu tento me por no lugar delas e cheguei a uma aproximação: Imaginem, mulheres, que no céu há um contêiner gigante de calorias engordativas prontas a serem metabolizadas e transformadas em gordura em celulite ao menor contato com o astro-rei. O que você faria?
Além de usar e abusar desses produtos de beleza que são na melhor das hipóteses ineficientes e, na pior delas, cancerígenos e causadores de manchas, elas se cobrem. Enquanto houver luz natural lá fora, mulher vietnamita que se preza não sai de casa sem máscara de rosto, chapéu cônico (ou capacete pra moto, modo de transporte nacional preferido) e mangas compridas ou luvas.
É difícil encontrar duas mulheres com a mesma estampa de máscara. Há toda uma indústria que nasceu para servir essa obsessão nacional. Os capacetes também são sempre diferentes e divertidos, com estampas piratas de marcas famosas, formato de boné ou chapéu de aba, cores femininas, delicadas ou gritantes.
Mas não há estampa de Hello Kitty que me faça esquecer do sofrimento a que essas mulheres se submetem. No Vietnã faz calor demais e a humidade atmosférica é alta. Eu tinha dificuldade de aguentar a temperatura usando camiseta regata e bermuda. Eu já experimentei uma dessas máscaras: a respiração condensa, é difícil respirar, o calor sufoca. A máscara esconde o que a gente tem de mais único, a expressão do rosto e o sorriso.
Sem falar no sofrimento psíquico, talvez o mais importante. Esses milhões de mulheres de pele amarelada ou oliva, que ou já são ou talvez nunca serão tão brancas como uma mulher ocidental, nessa batalha diária e perdida contra a própria cor de pele.





Comments
Eu fico imaginando uma mulher vietnamita passando férias em Salvador (BA).

Vou te falar uma coisa…. aqui a gente conta os minutos pro ‘astro rei’ mostrar a sua força e grandeza total e nos proporcionar ‘aquele’ bronze…. e essas pobres criaturinhas, tão alvinhas bahg…. Agora homem com unha do mindinho comprida, só pra tirar cera do ouvido
Adorei a matéria
O povo não vai a mil por hora nessas motos, né? Os capacetes são bem casca de ovo, ahn?
Danilo, é difícil ir a mais de 30 nas cidades. O trânsito flui que nem mel gelado.
O interessante é encontrar uma mulher vietnamita, pensar que ela tem 22 anos quando na verdade ela tem quase 40. Já faz tempo que eles sabem doa malefícios da exposioção ao sol. Tanto que existem registros do uso do Nón Lá ( chapeu de folha ) com mais de 850 anos. Eu importei esses chapéus e as vendas têm sido um sucesso. Confira no http://www.nonla-brazil.com.
Parabéns pela matéria. Chuc ban vui ( felicidades )
Devo discordar em grande parte. Para essas mulheres não é um sofrimento se proteger do sol, é um costume. O capacete antes de ser item de moda, é equipamento de segurança obrigatório, se a polícia te parar sem um capacete, vão no mínimo uns 10 dólares. As máscaras também são usadas por homens, e a principal razão é a poluição.
Muito boa a matéria!
Estive no Vietnã e vi que elas se acostumaram a este modo de vida, um calor infernal e elas totalmente cobertas com todos estes adereços co.plentando aqui que os casacos são dupla face quando não moletom forrado de material sintético ou lã, no rosto além dos cosméticos usam talco para não suar e manter a aparência.
Praias paradisíacas e refrescantes e até desertas elas não se aproximam nem para molharem os pezinhos neste sentido são como vampiros, odeiam o sol.
Os capacetes é só pra completar o visual não protege em caso algum e não vi ninguém ser multado, o que vi foi famílias de 4 (até bebês ) pessoas em cima de uma moto inclusive, levando até máquina de lavar roupas, bicicleta com uma mão no guidom e outra para trás segurando o objeto.
Fica minha impressão!
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