mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from Vietnam
  • on 2010.10.10

Lobos em pele de cordeiro: Parte I

Em comum eles tinham a pouca idade, o aspecto simples e uma aparente vontade de nos ajudar sem pedir nada em troca. Vietnamitas boa-praça, na nossa opinião cidadãos acima de qualquer suspeita. Ou você desconfiaria de um monge dentro de um templo budista?

Primeiro caso: O Monge Safado

Era nossa primeira visita a um templo budista do sudeste asiático. Estávamos em Can Tho, mais importante cidade do Delta do Mekong do Vietnam. Recebemos – sem que a gente pedisse nada – uma visita guiada ao templo de um rapaz que, na nossa santa ignorância, tinha jeito, textura e cheiro de aprendiz de monge.

O que começou sacro, com incensos acesos aos antepassados e três reverências em direção ao altar evolui para o cômico. O tal monge, sem falar uma palavra de inglês, começou a dar uma de diretor fotográfico, insistindo que a gente posasse ora em frente ao sino, ora em baixo da escada, ora com vista pra cidade, ora com vista pra rua… acho deu pra pegar a ideia. Lá pela vigésima foto ele decidiu começar posar ao meu lado. E dá-lhe peregrinação: eu e o monge em frente ao sino, eu e o monge em cima da escada…

Um pouco por respeito, um pouco pela curtição do insólito da situação e da nossa curiosidade em saber aonde aquilo iria parar, a gente foi obedecendo o Sebastião Salgado da Ásia. A uma certa altura o Beto já nem clicava mais o botão da câmera, só apontava a lente pra gente, pra manter as aparências. Afinal, desapontar um monge deve dar um puta azar.

E o que começou sacro e evolui pra cômico começou a ficar suspeito. A cada tirada ao meu lado o J.R.Duran vietnamita dava um jeito de me colar um tantinho mais. A mão começou a descer da minha inocente cintura pros meus quadris. Atônita, eu protestei:

“Beto, o monge pegou na minha bunda”!

Mas o apelo do fator exotismo estava forte. E uma parte de mim nem acreditava no que eu tinha acabado de sentir: eu achei que aquilo TINHA que ser um acidente. Mas o monge, ao invés de se contentar em ter dado uma pegada bem-sucedida na bunda da brasileira resolveu abusar da sorte.

Após explorar meu lado sul, ele decidiu fazer uma peregrinação no meu lado norte. Sabe quando você tira foto com alguém e põe o braço em volta do pescoço da pessoa? Pois então. Acho que muito moleque conhece aquela técnica de deixar a mão meio boba e preguiçosa se a companheira de foto for uma garota de busto avantajado.

Bem, o monge conhece. E o que começou sacro, evolui pra cômico, passou a ficar suspeito virou claro e definitivo. Reparem bem na minha expressão.

Acabaram-se as fotos, acabou-se a piada, e fomos embora no mesmo instante.

O hábito não faz o monge. Não mesmo.

P.S. – Nas fotos eu estou usando uma blusa regata, um tremendo fora que eu corrigi pouco tempo depois. Num templo budista, você deve cobrir os ombros e as pernas. Falha minha.

Comments

7 people commented so far
  1. Que coisa feia seu “monge”. Não sei como o Beto, que bom brasileiro é, não partiu pra cima..rs! Pessoal, mais uma vez, parabéns pelas postagens. Boa sorte!

    by Junior Gomes on 2010.10.11
  2. Eu nao acredito!!! Realmente um monge muito safado que vai precisar de muita meditaçao ! E eu tenho até medo de ler os outros casos, porque esta é só a parte I. Bi, fica esperta, se cuida e nao deixe ir longe demais o insolito e o suspeito! Um beijo!

    by Eliana on 2010.10.11
  3. Olha, pra ser bem sincero, esse monge da foto tem uma puta cara de ‘manguaceiro’ :) :) :) …. ou melhor, cara de ressaca de manguaceiro.

    Depois dessa eu chego a triste conclusão que ‘taradismo’ não tem fronteiras de credo, crença ou religião…
    Mas bem que eu gostaria de estar aí por perto pra passar a mão na bunda desse tomador de saque (ou seja lá que bebida é usual daí).

    by jose carlos saia on 2010.10.18
  4. Bi! Fiquei chocado! Que falta de respeito deste carinha?!?! Mas nestes casos, como você mesma disse, é melhor se retirar e pronto…fizeram bem em não criar confusão. Sabe-se lá o que poderia acontecer…
    Beijos!
    Marco (RJ)

    by Marco Antonio Garcia on 2010.11.03
  5. Pois é Marco! E ontem ouvi a história de uma menina que estava num ônibus, aqui na Índia, sentada ao lado de um monge. Que estava passando mal e vomitando pela janela. “Beleza”, ela pensou. “O cara não só é religioso como está enjoado. Mais seguro, impossível”. E qual não foi a sua surpresa quando o santo homem começou a passar a mão nas pernas dela.

    by Bianca M. Saia on 2010.11.06
  6. jajajajaja…..

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    OMG ….that I’m laughing!

    by JaNa on 2010.11.19
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