mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Roberto Rocha
  • published from India
  • on 2010.11.02

Varkala: cerveja, política e deduragem

Em Varkala, você não vai encontrar cerveja ou drinks nos menus de quase nenhum dos inúmeros restaurantes construídos frente ao mar.

Mas experimente dizer a palavra álcool pro garçom. Ele prontamente vai tirar do bolso um menu caseiro e gasto listando os costumeiros Mojitos, Tom Collins, Cosmopolitans e outros drinks clássicos. Peça uma cerveja e receba uma geladíssima garrafa de Kingfisher em instantes.

Os restaurantes não podem vender bebidas alcoólicas. Mas como em outras partes de Varkala, as regras têm seu preço.

De acordo com várias fontes na indústria hoteleira local, os restaurantes pagam propina para que a polícia os deixe conduzir seus negócios em paz. Essa prática, talvez tão antiga quanto as leis, não deveria ser motivo de surpresa pra ninguém que conhece a cultura de grande parte dos países de terceiro mundo.

Mas a história fica mais interessante quando os proprietários se servem dessa brecha pra tentar roubar os clientes dos seus concorrentes.

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A faixa de restaurantes e lojas no topo do morro de Varkala.

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Varkala, que fica no estado de Kerala, no sudoeste da Índia, é uma estância turística relativamente nova. Uma alternativa mais simples e mais barata em relação à popular Kovalam, Varkala atrai turistas de dreadlocks e que usam roupas indiana porque gostam – e não como forma de respeito à cultura local.

A praia nada mais é do que um pequeno trecho de areia, menor que um campo de futebol, alojado entre 2 colinas de terra avermelhada. A maioria dos negócios foram instalados no topo desses morros. Enquanto há cinco anos o vilarejo não dispunha de mais de cinco hotéis, hoje opção é o que não falta: hospedarias baratas, chiques bangalôs, cafés e restaurantes, todos oferecendo a tradicional terapia Ayurvédica.

O pequeno povoado parece ter sido construído e hoje gerenciada pelos Nepaleses e Kashmires, que, para minha grande surpresa, são ótimos comerciantes. Eles trabalham como gerentes, garçons e vendedores de souvenires. Com a chegada das monções que começam em junho, eles fecham as lojinhas e voltam pra casa.

Para os indianos locais sobra a maior parte dos trabalhos manuais, como conserto de telhadoos e remendo de calçadas.

Eu tenho passado as minhas noites no restaurante Hill Top Indian Spice, o único estabelecimento que anuncia a venda de comida indiana (O resto tenta conquistar os alemães e ingleses saudosos de casa com os chamados menus continentais).

A comida do Hill Top é deliciosa. O chef, um nepalês de cinquenta e poucos anos, tem trabalhado na cozinha de resorts pela Índia afora nos últimos 22 anos. O tomate recheado de curry vermelho que ele faz é tão divino que eu até pedi pra receber umas lições de culinária.

O restaurante abriu em agosto deste ano e tem sido um tremendo sucesso, segundo o proprietário. Surpreendentemente, quem vem pra Índia parece estar a fim comer comida indiana.

Durante um mês, enquanto o Hill Top vivia lotado, seus vizinhos “continentais” mal conseguiam encher algumas poucas mesas. A oferta em Varkala claramente cresceu mais rápido do que a demanda: seus hotéis e restaurantes trabalham muito abaixo da capacidade. E é aí que as políticas começam.

O restaurante Hill Top ainda não tinha molhado as mãos dos policiais. Os restaurantes concorrentes deduraram. E o Hill Top foi fechado por dois meses.

O Hill Top acaba de abrir novamente, e o movimento começa a voltar devagarinho. Desta vez, com as prestações de baksheesh – ou propina -  sendo pagas em dia.

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A cidade atrai inúmeros peregrinos, graças a seu tempo milenar.

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