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Aprendendo sobre vinhos na Nova Zelândia

- O lindo terreno de High Valley, em Marlborough

Foram necessários três visitas às diferentes regiões vinicultoras da Nova Zelândia pra que eu finalmente entendesse porque costuma-se sentir os aromas do vinho antes de bebê-lo. Porque os especialistas ou os apaixonados fazem questão de encontrar na bebida aromas de couro, morango ou baunilha.
É que para realmente apreciar um vinho é necessária identificar seus aromas. O paladar humano é limitado: ele reconhece o doce, o ácido, o amargo e o salgado. Já o olfato é infinitamente mais preciso, rico e até mesmo emotivo. E muito do sabor do vinho vêm do que conseguimos cheirar dele.
É só lembrar da última vez que você teve um resfriado ou gripe: como consequência do nariz entupido, o prazer de comer certamente desceu por água abaixo.
Morando em Montréal, cidade com forte herança francesa, bebe-se vinho que nem água. Para acompanhar as refeições, em reuniões de amigos, em festas, nos restaurantes. Em vários dos restaurantes, inclusive, você pode trazer sua própria garrafa, sem ter que pagar taxa adicional.
Mas isso não quer dizer que, nesses anos todos, eu aprendi a beber vinho. Ou melhor, que eu aprendi a apreciar tudo o que o vinho têm de complexo e sutil. Ou que eu pudesse diferenciar um Chardonnay de um Pinot Gris. Posso dizer que minha apreciação se resumia a: Não gostei. Gostei. Gostei bastante. Esse é forte, esse é suave, esse é doce, esse parece vinagre. Geralmente da segunda taça pra frente, o ato de beber o vinho tornava-se quase mecânico. Não muito diferente de beber suco ou cerveja. Claro, sem esquecer aquele famoso efeito secundário que faz com que tudo ao seu redor pareça progressivamente mais interessante.

Mas nunca é tarde para aprender. No nosso caso, não só sobre vinhos como também sobre os vinhos da Nova Zelândia, que além de pouco conhecidos na América do Norte são eclipsados pelos vinhos australianos. Resolvemos começar nosso curso prático em Hawkes Bay, região conhecida principalmente pelo Pinot Gris e Syrah. O curso continuou na região de Marlborough, os bambas no Sauvignon Blanc. E pretendemos arrematar nosso aprendizado em Gibson Valley, região próxima a Queenstown, famosa pelo Pinot Noir.
Fazer um tour de vinhedos, como se pode imaginar, é um programa divertido e instrutivo. O que me surpreendeu é que ele também pode ser econômico: na maioria dos vinhedos você tem direito a uma degustação franca de cerca de 5 vinhos diferentes, geralmente a prata da casa, alguns deles custando até NZ$40. Não sentimos a pressão, sutil ou explícita, de comprar uma ou mais garrafas após as visitas. Fomos servidos quase que exclusivamente por funcionários que conheciam muito bem seu produto e que exibiam uma paixão pelo assunto. E que, surpreendentemente, eram livres da afetação muitas vezes associadas a esse mundo.

Para ajudar os novatos, uma lista descreve as características e aromas de cada vinho que nos é servido. É divertido fazer um teste cego e colocar o olfato e paladar à prova. No começo, não conseguia senti nada muito diferente do que cheiro de vinho. Mas tendo a lista de aromas como referência, e repetindo a experiência, uma coisa incrível aconteceu. Feito sommelier esnobe, eu me peguei dizendo que tal vinho tinha cheiro de pêra caramelizada. De morango. De maracujá e frutas cítricas. Comecei a perceber o gosto particular dos vinho envelhecido em barril de carvalho. A perceber em alguns deles os aromas herbais, os de fruta, os amadeirados.
E onde tem vinho bom, geralmente também tem comida boa. Em grande parte dos estabelecimentos também funcionam restaurantes, muitos deles premiados, onde você pode comer tendo como vista os belíssimos vinhedos da região.
Ou você pode fazer como a gente e carregar um saquinho de amendoins e uma barra de chocolates na mochila pra ajudar a amortecer o efeito do álcool entre um vinhedo e outro.

Comments
Tá… e depois de tudo isso o que é que eu vou fazer com as minhas garrafas de ‘chapinha’… ’sangue de boi’… ‘chalise’… ‘chateau duvalier’….’almadén’…. Só promovendo um ‘FESTIVAL DO SAGU’, pra dar vazão a minha adega.
hhahahahha… ri muito com essa. E vai ter que mandar esse sagu todo abaixo com cerveja Cintra
)
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