mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from Australia
  • on 2010.05.05

A manhã mais linda do mundo

As praias da Austrália são tudo o que se espera delas. A água, azul ou verde e sempre cristalina, eventualmente infestada de surfistas devidamente bronzeados e habilidosos, povoadas de tubarões e ondas fortes, onde apenas a areia branca e macia entram. Na costa leste, logo acima de Sydney, a temperatura média é de 25 graus, e mais de 300 dias do ano são ensolarados.

Muito além das famosas Bondi Beach, Surfer’s Paradise e Byron Bay, que atraem uma multidão de turistas nacionais e estrangeiros durante o ano todo, sempre é possível achar sua praia particular, despida de glamour, salva-vidas, ou ondas fortes (se essa não for a sua praia).

O Parque Nacional Myall Lakes é um desses lugares. Uma reserva natural protegida a 310 km de Sydney, com acesso mais difícil do que as praias na beira da costa faz com que o lugar tenha fauna abundante e atraia um público diferente das praias mais badaladas do país.

Encontramos a primeira praia da reserva, Seal Rocks, praticamente deserta e esplendorosa na luz do pôr-do-sol. Um pelicano, que descansava tranqüilo na beira da areia, dava o tom do que nos aguardava. Próximo a essa praia há um acampamento de mesmo nome, onde se paga cerca de AU$12 por pessoa. Resolvemos seguir viagem e, para nossa surpresa, havia um outro acampamento gratuito à beira de outra praia, Yagon. Forrado de grama, com banheiros e churrasqueiras a gás, pequeno, selvagem e perfeito.

Pela manhã, o sereno da madrugada deixava a barraca fria e úmida. Resolvi deixar o sono de lado e ir sozinha para a praia por volta das 6 da manhã, enquanto meus companheiros de viagem dormiam no camping. Naquela praia totalmente deserta, longa e virgem, me despi das roupas e deixei o sol esquentar minha pele.

Durante minha distração e meio-sono ao longe, no mar, avisto uma barbatana. Duas, três, várias. Seriam tubarões?

Não, eram golfinhos. Cerca de 15 deles, brincando, nadando juntos, pulando. Foi difícil acreditar nos meus olhos: há tanto tempo sonho em ver de perto e nadar com esses animais, que na minha cabeça eram acessíveis apenas em tours especializados (e caros) em alto mar ou em shows de parque aquático.

Esperei mais um pouco e deixei eles se aproximarem até que eu tivesse 200% de certeza que não eram tubarões. Sozinha e nua naquele mar imenso, eu seria um banquete perfeito, sem testemunhas.

Mas eram mesmo golfinhos, e eles são enormes. Confesso que precisei me armar de coragem pra me aproximar. Golfinhos mordem? Eu não tinha ninguém ali pra perguntar. Não podia deixar a oportunidade passar: me joguei no mar e nadei entre eles. Com a cabeça dentro d’água ouvia aquele ruído agudo de golfinho. Vi eles passando por baixo de mim, enormes, no seu balé aquático, indiferentes à minha presença. Esses animais que parecem brincalhões e felizes, que me deixaram sem fôlego, que me levaram lágrimas aos olhos, que sozinhos fizeram a viagem para a Austrália valer a pena.

Se tenho fotos? Claro que não…

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