mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Bianca M. Saia
  • published from Papua New Guinea
  • on 2010.06.08

Pioneiros

Ao aterrissar na cidade de Mt. Hagen, capital da região serrana de Papua Nova Guiné, esqueça as esteiras de bagagem, tubos de desembarque e outras formalidades do gênero. Nossas mochilas nos aguardavam dentro de um carrinho estacionado na pista de pouso, próximo ao avião que nos havia trazido de Port Moresby. Rústico, mas imbatível na rapidez: entre a descida do avião e a liberdade da rua, mal haviam passado 5 minutos.

Usando as mochilas de assento, fomos encontrados na calçada pela família de Wako Napasu, proprietário da operadora de turismo Country Tours . Eles seguravam uma plaquinha onde se lia “Roberto e Bianca”. Um verdadeiro desperdício de papel, já que éramos os dois únicos brancos com ar perdido em todo o minúsculo aeroporto a céu aberto.

Neoma, filha de Wako, uma jovem de 20 anos e cabelos longos amarrados em coque, fez as honras do grupo. Ela nos apresentou Colin, que seria nosso guia durante toda a semana, e Robert, o motorista. Entramos no micro- ônibus e nos dirigimos à casa da família, próxima ao centro da cidade.

Casa não, casarão: ao passar pelo portão de palha e metal, uma série de árvores plantadas em curva funcionava como corredor de entrada. O terreno gigante, cheio de arbustos floridos e árvores frutíferas, com 2 Land Cruisers estacionados abriga a imensa morada da família Napasu. Construída em estilo tradicional, a casa totalmente avarandada de chão de madeira e paredes e teto de palha, com 4 quartos, três banheiros, um escritório, e uma sala que sozinha é três vezes maior do que nosso apartamento em Montréal. Apesar dos poucos móveis modestos, das cortinas rasgadas e das flores de plástico não há dúvidas: estamos na casa do bamba do pedaço.

Fomos abraçados por Joyce, mulher de Wako, e recebemos os cumprimentos bastante tímidos dos seus filhos Nathan e Jacintha, pelo segurança da casa e suas crianças.

Um café-da-manha estilo ocidental nos aguardava: 4 sanduíches de pão-de-fôrma e ovos mexidos, acompanhados de café instantâneo e chá mate.

Neoma nos apresentou o itinerário da semana: missa no sábado com a família (adventista), trilha e acampamento na montanha, visita a mercados, à escola, à plantação de chá e café, shows culturais. E seríamos hospedados no casarão de Wako durante a maior parte da semana. Ainda demorou um pouco até que a gente descobrisse porque o dono da agência de turismo resolveu nos hospedar em sua própria casa.

Nos 5 anos de existência da agência, essa havia sido a primeira vez que algum turista havia pedido pra dormir nos próprios vilarejos, ao invés de usar os caríssimos hotéis da cidade. Sem saber, estávamos abrindo uma trilha. Pela primeira vez os locais da região teriam um contato tão íntimo com um casal de turistas branco. Pela primeira vez esses turistas frequentariam seus mercados diariamente, caminhariam naquelas ruas.

Comments

3 people commented so far
  1. Poxa Bi, com só essa parte do roteiro eu já desenvolveria uns dois capítulos de um bom livro. :) Só estou torcendo – aqui em ‘terras brazilis’ – para que esse cidadão da foto não seja o tal de Wako, por que aí a minha paz de espírito vai ficar um tanto abalada :) :)
    Falando em fotos do cidadão…. eu não estou encontrando as fotos de PNG !
    Beijos pros dois

    by josé carlos saia on 2010.06.09
  2. Oi Bianca

    Vc está escrevendo tão bem que parece que estou nesse casarão co vs.
    parabens e boa estada.
    Sandra A.

    by sandra on 2010.06.11
  3. Papi e sogrinha: que bom que vocês gostaram! As fotos a gente vai publicar agora. Em PNG era impossível, tanto que a conexão com a Net era cara e ruim.

    PS – O Wako é bonzinho e cristão :) Não que esse maluco da foto talvez não seja também. Aguarde as fotos.

    by Bianca M. Saia on 2010.06.20

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