mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Roberto Rocha
  • published from Papua New Guinea
  • on 2010.06.07

Papua Nova Guiné: a chegada

 O vôo que nos levou de Cairns, na Austrália, até Port Moresby, capital da Papua Nova Guiné nos pegou desprevenidos. O aviãozinho de 37 lugares movido a hélice cheirava a país de terceiro mundo, uma mistura de cecê acumulado com um toque de banheiro químico.

Mas fomos surpreendidos logo em seguida ao receber os fones de ouvido para escutar o filme a bordo, de marca Sennheiser, sem fio e enormes.

O filme? Um melodrama australiano, estrelado pelo Heath Ledger, com várias cenas de nudez, palavrões e uso de drogas pesadas. Num avião cheio de crianças, às 6 e pouco da manhã.

A chegada

A passagem pela imigração foi um passeio. Um homem estampou o visto de chegada no nosso passaporte, enquanto uma agente cobrava 100 kina, cerca de 30 dólares, por pessoa. Felizmente nós tínhamos trocado algum dinheiro em Cairns antes de entrar no avião: não há caixas automáticos ou máquinas de cartão de crédito na zona de imigração.

Rob, nosso anfitrião australiano que conhecemos através do Couchsurfing (não há albergues de mochileiros em PNG), estava nos aguardando na área de desembarque. Uma semana antes ele havia nos enviado um email cheio de dicas de segurança específicas para Port Moresby. Por exemplo:

“Ao caminhar de volta ao seu carro, tenha a chave já em mãos corretamente posicionada na direção da fechadura. Não perca tempo procurando por ela dentro do bolso ou bolsa”.

E pessoalmente, a situação nao pareceu menos dramática:

“Eu vou de carro pra todos os lugares. Aqui, você não anda, a não ser que seja realmente necessário”, ele disse.

O que explica o nervosismo que sentimos na nosa primeira caminhada no centro da cidade.

O primeiro contato

O povo de Papua Nova Guiné quase não vê turistas. Os poucos brancos em Port Moresby são geralmento expatriados, morarando aqui temporariamente e a negócios. Eles se trancam dentro dos seus condomínios fechados ou escritórios e socializam com outros brancos em sofisticados Yatch Clubes.

É por isso que qualquer branquelo que se aventure a caminhar pelas ruas vai chamar a atenção. Muita atenção.

Num primeiro momento a gente se pergunta se esses olhares estão nos julgando. Se nossas roupas ou modos são consideradas ridículos ou inapropriados. Ou se eles estão tramando algum jeito de levar nosso dinheiro.

Também notamos que eles não sorriem. Não sem que haja um motivo. Eles não falam alto, não assobiam, não tocam música alta em público.

E aí a gente percebe que basta tomar a iniciativa oferecendo um sorriso, dizendo “moning” ou “apinum” (bom-dia e boa-tarde no dialeto local chamado Pidgin). O que a gente recebe de volta é invariavelmente um sorriso de quem parece ter recebido o maior dos elogios, de quem acaba de viver o ponto alto em um dia comum.

O centro da cidade

O centro comercial de Port Moresby é apelidado “Town”, situado em uma pequena península. Lá você encontra bancos, supermercados, restaurantes e Internet Cafés, instalados em pequenos prédios em meio a alguns dos seus poucos modernos edifícios.

As calçadas e ruas estão coalhadas de manchas vermelhas. Em poucos minutos às associamos ao betelnut, ou buai, que os locais mascam feito tabaco, cuspindo o restante no chão. O pigmento vermelho é o resultado de uma reação química entre o buai, o pó de lima e o galho de mostarda, adicionados à noz, para dar mais sabor. E para, como descobrimos mais tarde, provocar uma leve reação narcótica, comparável a umas três cervejas, e que dura alguns minutos.

Sim, as ruas do centro são levemente caóticas e seus comércios, humildes. Mas não há sinal de pobreza extrema. Algumas pessoas parecem vagar nas esquinas mascando buai o dia todo, e talvez uma ou duas criancas vieram nos pedir dinheiro. Mas todos parecem ter casa, roupa e comida.

E tirando as manchas de buai no chão, as ruas sao relativamente limpas. Quase todas as placas estão escritas em inglês mas a língua mais falada é o Pidgin, lingual franca que é compreendida por todos, independente do seu clã linguístico.

Nós trocamos dinheiro, compramos um chip para celular, fomos super bem atendidos pela Secretaria de Promoção Turística e fizemos compras no supermercado sem dificuldade.

No entanto, obtivemos uma taxa de câmbio horrível ao trocar nossos dólares australianos por kinas no banco local. Mas essa é uma outra história.

Comments

3 people commented so far
  1. Beto,

    A sua narrativa me transportou a Ciudad del Este, no Paraguai. Quando eu mora em Foz do Iguaçu, ia com uma certa regularidade pra lá e apesar da cidade fazer divisa com o Brasil, sentia uma brutal diferença cultural, financeira e social.
    Mas estando a milhas e milhas de casa – como dizia o pessoal da banda Blitz – tenho certeza que a vossa sensação deve ter sido muito mais marcante.
    Abraços.

    by josé carlos saia on 2010.06.09
  2. Feliz por ter noticias boas.
    Que alivio materno.
    Have fun e mais fotos, por favor
    beijos
    mamae

    by sandra on 2010.06.10
  3. mmmmmmmmmmm chemical toilet

    by tomas rocha on 2010.06.17

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