Words
O lado bom (e o ruim) da comida de PNG
Papua Nova Guiné é um país em desenvolvimento, e como tal, tem mais problemas que livro de matemática. Mas aqui, ninguém passa fome.
O solo da região serrana é particularmente fértil, e praticamente todas as famílias do país têm uma porção de terra, usada para plantar e colher comida fresquinha o ano inteiro.
Toda casa tem no mínimo uma plantação de batata-doce e repolho, talvez alguns porcos e várias árvores frutíferas, de banana, laranja, tangerina e goiaba, por exemplo.
É fácil avistar as plantações de batata-doce, com seus característicos morros pintados de folhas vermelhas, de longe. Esses pequeninos montes de terra foram recheados de ervas daninhas e mato velho, que ao decompor sob o solo liberam preciosos nutrientes.
Quem tem mais terra, planta batatas, ervilhas, cebolas, brócolis, couve-flor, pepinos e verduras. Alguns poucos agricultores cultivam tomates, amendoins, gengibre, inhame e cana-de-açúcar.
Outras frutas locais: abacaxi, mamão papaia, abacates, morangos, e sugar fruit (uma versão mais doce do maracujá).
Algumas das frutas únicas da região são o laulau, uma frutinha vermelha em formado de sino, crocante e suculenta, com um sutil sabor de melancia. O white pandanut é do tamanho de uma bola de basquete, com espinhos do lado de fora e recheado com uma polpa amaneirada, que ao ser mastigada por tempo suficiente libera um leve gosto de noz.
Seu primo, o red pandanut, parece um milho mutante, gigante e vermelho, que quando cozido libera uma pasta de vermelho intenso, cujo sabor lembra vagamente brotos de bambu.
Como eles preparam a comida
Talvez a única virtude da cozinha de PNG seja a simplicidade. Aqui, tudo é fervido, frito ou assada no fogo.
As pessoas não parecem se preocupar em misturar os ingredientes de maneiras criativas e interessantes, preferindo preparar cada ingrediente individualmente. Às vezes um frango pode ser servido com gengibre e cebolinha, cozinhados separadamente e depositados individualmente no prato. Não se vendem temperos ou especiarias nos mercados externos.
A comida mais corrente por aqui é a batata-doce assada no fogo. Os tubérculos são jogados nas brasas quentes, e depois descascados à mão. Outra comida favorita é a banana salgada, uma prima do plátano, fervida até ficar mais ou menos maciz. Ela é densa, farinhenta, e bem sem gosto.
Os nativos de Papua Nova Guiné têm um fraco por carnes enlatadas. Sua diversidade em qualquer supermercado não faz vergonha à quantidade de tipos de sucrilhos na América do Norte. Eu nunca imaginei que em algum lugar do mundo você tivesse cinco marcas de lata de apresuntado ao seu dispor.
Uma “especialidade” memorável da região é o toucinho de carneiro. Como o nome sugere, esse não é nem de longe o corte mais nobre do animal. Parece um pouco com bacon, com finas camadas de carne e gordura. Mas é delicioso, crocante, e quem come fica com o rosto totalmente lambuzado.
As comidas de rua são incrivelmente sem graça, lembrando aos visitantes que PNG foi colonizado pelos ingleses. Você encontra salsichas de carne grelhadas cujo sabor e textura me remetem à miúdos que eu prefiro não saber o nome. Um petisco popular é o “bread flour”: uma bola de massa frita com um centro de pão.
Como eles comem
A Papua-Nova Guiné está se ocidentalizando de maneira assustadoramente rápida, mas como diz a música do Tchan, pau que nasce torto nunca se indireita. Mesmo em uma casa com mesa de jantar e bons talheres, você geralmente vai encontrar as famílias sentadas no chão da cozinha ou da sala, comendo com as mão ou no máximo colheres, igualzinho a qualquer cabana rural das mais rústicas.
O povo da região serrana não come nas horas certas, preferindo beliscar aqui e ali ao longo do dia. O jantar é a refeição mais importante, e a mais farta. Os membros da família recebem não pratos, e sim tigelas, largas e profundas, com a colheita do dia.
Eles não mostram nenhuma aversão em finalizar uma coxa de frango inacabada do parente ao lado. E os restos do jantar são comidos sem problemas no desjejum do dia seguinte.
Uma vez, no café-da-manhã, nós recebemos uma tigela cheia de arroz, miojo e uns pedacinhos de atum em lata. É o que eles tinham na casa, e para eles, tava bom demais.





Comments
What is that nut thing! How do those people gorw them or get them?
Great story Robert…you can check my page for interesting articles on Papua New Guinea!!
nice to learn from you about the lau lau fruits.
I live in Madang since October 2013 and ate them regularly, but I did not know if they existed anywhere else in the world
PNG is unique and our food is organically grown! You don’t need fertilizer to grow local food and thank God I am a Papua New Guinean!
Just loved the sugar fruit when my son Luke and I were on Kokoda track
i really enjoy reading these page because i now know some of facts of png cuisine. i am daniel at the university of goroka, 2014.
thank you!
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