Words
Hello, Mister
Se você sente curiosidade em saber como é a experiência de uma celebridade retrô, você já sabe: vá para a Papua Nova Guiné.
Agora, se seu objetivo é sentir-se como uma celebridade contemporânea, permita-me sugerir a Indonésia.
Ô povinho simpático, esses indonesianos. Do neném ao vovô, gente aqui não tem medo de gente. Caminhando na rua, tomando um ônibus, fazendo uma transação comercial, comendo num restaurante: é quase impossível que você não seja abordado por alguém que queira saber… Pra onde você esta indo? O que você fez hoje? Você fala indonesiano? Você é casada? O que você está carregando nessa sacola?
E mesmo quem não tem tanta proficiência no inglês assim não se intimida. De Papua a Java, em metrópoles e vilarejos, ouvimos várias vezes por dia os gritos de “Hello, Miiiister” (mesmo pra mim, uma Miss). O que me fez perguntar para uma indonesiana: Como é que pode que numa nação gigantesca como a Indonésia, com culturas tão distintas entre si, esse tal de “Hello Mister” seja assim, padronizado nacionalmente? Ainda mais quando a gente pensa que muitas dessas pessoas a nos cumprimentar provavelmente nunca saíram de suas ilhas – e ouso dizer, vilarejos – em suas vidas?
Ao que ela me respondeu: Sempre que num programa de televisão daqui aparece um ocidental, ele é chamado de “Mister” pelos outros personagens locais. “Hello, Mister”. Parece lógico.
E o que acontece quando esse povo amigável e xereta participa ativamente da inclusão digital? Numa era onde qualquer pé-rapado já esta no enésimo modelo de celular com câmera? Bom, se o pé-rapado em questão for asiático, sai de baixo: o telefone vai ter uma vida sacrificada. Suas horas de trabalho serão longas, as pausas pra descanso, curtas.
Ah, e é claro: os turistas vão ter um treinamento na difícil arte de sorrir por horas a fio.
Porque não pense você que e só tirar uma foto e pronto, acabou. Não, não senhor: geralmente eles atacam em bandos. O que quer dizer que cada um deles está armado com seu próprio celular. E o que quer dizer também que as possibilidades são infinitas: “Vai lá, primeiro com ele, Mister. Agora comigo. Agora com nós dois, Mister. Agora só com quem nasceu em numero ímpar”. E por aí vai.
Em uma tarde na praia Base G, próxima a Jayapura, a grande diversão do grupo era tirar foto com a gente usando um par de óculos escuros. O que aquele óculos rodou, não foi brincadeira.
A propósito, eles também adoram posar pra gente. A troca é mais do que justa.




Comments
Esse relato sobre os indonesianos me passou uma imagem de que esse povo tem a cara dos nossos baianos – melhorados – .
Vai gostar de fotografia lá diante….
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