Words
Viajar acompanhado ou sozinho?
A discussão é antiga entre os viajantes. Há quem não se arrisque a sair de casa rumo à estrada sem um amigo ou amante a tiracolo. E há quem ache que jornadas importantes são experiências pessoais e intransferíveis, e que precisam ser feitas a sós.
Quanto a nós? Na dúvida, ficamos com os dois.
Viajar a dois tem inúmeras vantagens econômicas e práticas. Aqui na Ásia, por exemplo: nós pagamos o mesmo preço pelo quarto, pouco importa se ele for ocupado por uma ou duas pessoas. Dá pra dividir táxis e becaks, diluindo o custo do trajeto. Se nossa fome for pouca, dividimos um prato, economizamos e não desperdiçamos comida. Tiramos fotos um do outro. Enquanto um vigia os mochilões, o outro vai procurar hotel. Enquanto um faz o check-out, o outro pode cair exausto na cama. Você pesquisa passagens, e deixa que eu pesquiso os vistos.
Fora as inúmeras vantagens intangíveis. Um pôr-do-sol a dois: não é mais bonito? Podemos discutir experiências como quem bate-papo na saída do cinema. Não falta companhia na hora das refeições. Inventamos jogos pra passar o tempo no ônibus. Ele me aponta uma estrela-do-mar roxa, e eu aponto para um Nemo no fundo do mar. Enquanto ele cozinha o jantar para nossos hóspedes, eu viro a embaixatriz, jogo conversa fora e cuido da louça. Meu companheiro é meu travesseiro, meu ombro, meu confidente e meu cobertor. E sei que a gente tem o resto da vida pra rememorar juntos:
“Lembra aquela vez que…”??
Mas viajar a dois – por meses a fio – tem sua parcela de desafios. Lembra daquelas longas viagens onde você dividia o banco de trás com seus irmãos? No começo, tudo é festa. Mas sempre chega hora que a paciência fica curta, o calor e forte, e o espaço talvez fique pequeno demais pra nós dois.
E digamos que tudo continue reinando na santa paz do senhor. Gente, uma hora o assunto acaba. O que é que a gente tem pra contar pro outro? Absolutamente nada, já que o outro estava lá e viu tudo o que você fez, nesse dia e nos outros também.
Mas, ainda que houver paz, e ainda que haja assunto. Um dos grandes baratos de uma viagem é desenvolver a sua autoconfiança. Em outras palavras: descobrir, pela própria experiência, que você é capaz de lidar com qualquer situação, resolver qualquer pepino, em qualquer lugar. Sozinho, você tem que aprender a negociar, você tem a chance de lapidar seu jogo de cintura, sem contar automaticamente com o parceiro que talvez tenha mais talento pra isso. É hora de investir em amizades breves mas profundas, já que quem esta sozinho geralmente quer companhia.
Sem contar o prazer de fazer tudo no seu tempo: olhar todos os brincos e colares da feirinha. Passar quantas horas sejam necessárias num Internet Café. Passar o dia dormindo. Virar a direita ou a esquerda se assim te der na telha, comer o que te der vontade na hora que te der vontade.
Mas como conseguir ter as duas experiências, cada uma importante e bela à sua maneira, se você tiver viajando a dois?
Nossa solução foi inventar umas ferias periódicas. Você vai pra praia, eu vou pro deserto. A gente se encontras naquela cidade lá no Norte.
Sabendo que, no reencontro, o abraço será novamente bem apertado. A gente vai ter amadurecido um pouquinho. E, por um bom tempo, não vai faltar assunto.
E você? Prefere viajar só ou a dois?

Comments
Lindo e maduro! Bravo!
Olha…. essa é uma dúvida cruél e filosófica !
Realmente as duas situaçoes ilustram o por que da moeda ter duas faces.
De qualquer forma eu penso que vcs encontraram uma fórmula das melhores.
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