mo•jo n., 1. short for mobile journalist. 2. a flair for charm and creativity.

Words

  • by Roberto Rocha
  • published from Cambodia
  • on 2010.10.27

Dez coisas que eu aprendi no Camboja

1. Uma moto pode carregar tranquilamente  uma família de cinco pessoas.

2. O papel da polícia não é proteger seus cidadãos, e sim aqueles que pagam mais.

Por quê? Propinas fazem parte da cultura do Camboja há muito tempo. Sabe-se que a polícia e os militares já sequestraram e ameaçaram cidadãos honestos em troca de dinheiro.

3. O sompeah – ato de juntar as mãos em prece – é o jeito mais gracioso e digno de se cumprimentar alguém.

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4. Falar mais devagar não vai fazer com que um cambojano aprenda a ler um mapa.

Por quê? O conceito de educação grátis e obrigatória não existe no Camboja. Os pais precisam pagar pela escola dos filhos. A maioria da população é pobre e, portanto, pouco escolarizada. Pode parecer estranho que um cambojano não saiba ler um mapa, mas pouca gente foi treinada nesse tipo de raciocínio abstrato.

5. Se você estiver caminhando no mato e ouvir um clique, não se mexa. Peça ajuda. Talvez você dê sorte e só perca um pé.

6. Sorria durante qualquer discussão, por mais acalorada que ela seja.

Por quê? Faz parte da cultura do sudeste asiático esconder suas emoções sob uma máscara zen. No Camboja esse conceito é levado muito a sério. Ninguém ousa perder a calma, o que equivale a perder moral e, junto com ele, status social.

7. A vingança é um prato que se serve após vários anos de ódio em ebulição.

Por quê? Um trecho do livro Survival in the Killing Fields, que relata as memórias apavorantes do sobrevivente Haing Ngor (em tradução livre):

Kum é uma palavra na língua khmer que descreve um tipo de vingança tipicamente cambojano – para ser mais preciso, é uma desavença antiga que acaba numa vingança muito mais destrutiva do que o dano original. Se eu te der um soco você esperar cinco anos pra me dar um tiro pelas costas numa noite escura, isso é o kum… é uma infecção que cresce na alma do nosso povo.

Acredita-se que o Khmer Rouge transformou simples camponeses em frios assassinos estimulando seu kum contra a elite urbana, que havia sido “corrompida” pelo ocidente imperialista. Sobreviventes do genocídio apelidaram esses brutais comunistas de kum-monuss: o povo da vingança.

8. Se você quiser dar umas porradas em alguém, você deve insultá-lo publicamente primeiro. Senão, você vai ser visto como um troglodita.

Por quê? Ngor foi preso e torturado três vezes porque um de seus colegas disse ao Khmer Rouge que Ngor era um médico – e durante o regime sangrento, qualquer pessoa escolarizada era alvo de execução.

Mas antes de se vingar do seu delator, Ngor teve que declarar guerra em público. É assim que se briga no Camboja.

9. Ter sido invadido por vários países ao longo dos séculos resultou numa culinária boa pra cacilda.

10. “Não” só quer dizer “não” se for dito em Khmer

Por quê? Os vendedores de rua, em sua maioria crianças, são muito insistentes. Você pode dizer “no” cinco ou mais vezes e eles ainda vão querer continuar te vender pulserinhas, livros, souvenires ou massagens. Mas diga “aw te, aw kun” ou simplesmente “te!”e sua negativa vai ser aceita bem mais rápido.Talvez essa frase os lembre dos seus pais dando bronca (e não mais um turista branco e pão-duro)?

Comments

3 people commented so far
  1. Que 10 coisas,hein?
    As fotos são suas? Lindas. fortes.
    Bjs
    Mum

    by sandribo pada on 2010.10.27
  2. Interesting list Roberto. From someone who lives here I can concur.

    It would’ve been nice to have some sort of explanation with some of the lessons though. They can seem very left-of-field to people who haven’t experience S.E. Asia. This is a really diverse culture, explanations may have illustrated how you learned these lessons.

    by Caron Margarete on 2010.10.28
  3. You are right, Caron. I have added explanations for some of those points. The more obvious ones need no expounding.

    by Roberto Rocha on 2010.10.30

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